2006

28/04/09

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23 de Janeiro

Quem atira a primeira pedra?

Ele há coisa mais ridícula de que o owner perder o sítio da cache? Não há! Sério.

Artolice tamanha nunca se viu. Andarmos 3 dias a procura da caixita, escondida por nós, em dia ensolarado e depois de algumas semanas de puro deleite. E sabermos que ela esta ali e que a vergonha não nos deixa raciocinar.

Quando a caixa é do vizinho, ainda podemos atirar para o ar com umas rajadas de impropérios coloridos e obesos. Duvidar da inteligência das gerações futuras daquela família ou duvidar da funcionalidade sexual dos antepassados deles, mas quando a coisa é nossa? Quando a escondemos debaixo do arbusto, único e irreproduzível. Na árvore mais torta e mais mal jeitosa da floresta ou no fundo do buraco mais abjecto que existe em centenas de cliks á volta! E depois ela não está lá, não porque tenha sido retirada, roubada ou removida, mas porque nos esquecemos de onde ela estava. Como é que podemos procurar decentemente as dos outros se nem as nossas encontramos?

Reparem que a coisa não é sequer duvidar se alguém resolveu pô-la 50 centímetros mais para cima, mas NÓS não sabermos dar com ela! Já não nos lembramos se esta mais para aqui ou mais para ali. Debaixo ou por cima. Para cá ou para lá! ONDE É QUE RAIO É QUE EU PUS AQUELA ME’DA? Duvidamos do crescimento da vegetação, do último achador, dos serviços florestais, da polícia, até da ajuda da Maria que em vez de ajudar a procurar só nos assobia aos ouvidos com sugestões parvas. Ou então, ridículo dos ridículos, parvoeira nacional, estupidez da moda: “pode ser que esteja aí algum gajo a fazer o log…”

Tudo menos reconhecer que não fazes a mínima ideia onde puseste aquilo. Que te leva a próximo passo do percurso: êhpá, perdeu-se! Mentira mais descarada não há! Pior que fugir ao fisco. Pior que cuspir na sopa. Pior que mudar de tendência sexual aos 20 anos. Que normalmente é completada por aquela vozinha que do fundo da consciência, na gaveta das vergonhas, lá daquele sítio que nem nós gostamos de saber que temos, sussurra: Que se lixe, quélásaber! Ponho outra.

Não ser riam! Já me aconteceu… 2 vezes…


20 de Fevereiro

Eu pecador me confesso…

Já tinha conseguido perceber qual a diferença entre quente e frio. Entre conversar com os colegas e espiolhar a concorrência. Entre classificar e por defeitos.

Só não consegui perceber qual a diferença entre Dinamarqueses e Árabes. Nem o Lágrima de Preta(*) ajudou muito. E se lá formos só pelo tamanho, quer-me parecer que a coisa devia ter evoluído há muito para os mais avantajados. Por isso falta-me qualquer coisa. Serei só eu, ou há outros? Não querendo ser fundamentalista na minha opção mais fundamental, há caches de primeira e de refugo. Melhores e piores. Foleiras e bem esgalhadas. Há boas pessoas e mazelas ambulantes. Bons fins-de-semana e horas de granizo na moleirinha. Alegrias e tristezas.

Não tenho nada contra as caçadas em grupo, a solo ou aos pares. Cada um caça como quer, e se puder colocar as unhas no livrito das visitas, faça favor. Não há classificação para primeiros, últimos ou batoteiros. Se escreveu lá, conta, se não escreveu lá, não conta. Por outro lado se acha que sim, faça, se acha que não, não faça. Isto porque o meu objectivo não é subir na classificação, mas ir lá, resolver as dificuldades, pegar na coisita, rogar-lhe umas pragas. Em resumo, cumprir as regras. E nada nas regras diz que eu tenho, devo, preciso de botar defeitos nas pessoas. Por isso botar defeitos nas pessoas não é Geocaching.

Contra os HelpDesk ou ajudas. Vendo bem, se a ideia é ir ao sítio, ver a vista ou resolver o problema, não importa se ajavardei no livrito ou não. Tanto conta sendo o primeiro, como o ultimo, o do meio ou o da ponta. Os primeiros são sempre os mais sacrificados, basta lá terem ido para se saber que esta. Escrever o log para se saber que se pode encontrar. Contar a história para se perceber como é que a coisa funciona. Se é difícil, se demora. Até se vale a pena. Eu contra todos? Eu contra os gadjets? Eu a divertir-me? Eu com os meus conhecidos e amigos?

Se já fiz? Já fiquei de olho na coisa mais do que o normal. Já andei com algumas debaixo de olho tempo suficiente para se terem passado, desaparecido, sido arquivadas. Já tentei perceber se a coisa era mesmo assim ou se não era bem assim. Ou se não era mesmo nada assim. Já desbronquei privada e indecentemente, alguns desgraçados que se atreveram a colocar caches fatelas, mal feitas ou simplesmente foleirosas. Ou ainda porque já tinham obrigação de fazer melhor. Assim como fiquei especialmente de olho nas minhas a pensar se pensei a coisa bem ou aquilo é mesmo uma bosta. E algumas foram.

Todas contam um. Posso achar que contar 1Found por uma cache como as Aranhas é ridículo comparado com outra qualquer que está á borda da estrada debaixo de uma ardósia. Posso. Mas não acho. Porque posso escolher só as fáceis. Escolher só as novas. Escolher só as perto. Só as boas. As que demoram só 10 minutos. Ignorar as multis, as maradas. Mas se escolho a Efigénia, a das Portas de Rodão, se quero fazer a da N.S. da Peneda na 200 ou se, em geral, ignoro as de cidade e dificilmente tento segunda vez um falhanço, a minha contagem tem que ser corrigida com um factor de quê? Já procurei e encontrei caches que não contabilizei. Já demorei semanas para procurar caches a 50 metros.

Batota? Claro! Já escrevinhei umas balelas quaisquer num livrito que ignobilmente nem sei quem achou. Já perguntei descaradamente, por telefone, ao vivo, pela Net, onde é que raio estava aquela “me’tha”. Já olhei gulosamente as dicas, 5 segundos, 5 minutos, 5 horas depois de lá ter chegado. E já me aconteceu nem ter tempo de ler a dica. Já fiz ar de profundamente distraído quando estava completamente interessado. Joguei a p’’a do joguito.

Ajudo? Claro! Se já suicidei alguns em situações de aperto, de frustração, de receio ou simplesmente porque me apeteceu, mas vezes suficientes para "ter" reduzido drasticamente a comunidade geocacheira nacional, ajudo pois. Sempre. Se acham que abusei, desculpem lá, mas vão ter que se habituar.

Não somos todos iguais. O Benfica perdeu. Não há sol que me aqueça… Ora saiam lá 10 Avés e 20 Marias para mim, faxavor!


26 de Junho

Eu meto-me em cada uma…

Nunca mais aprendo, é o que é!

A história resume-se em poucas palavras: queria fazer um site!

Deixemos para lá a questão do: para quê? Avencemos.

Não me estava a apetecer gastar dinheiro, por isso resolvi abrir o baú das velharias.

Quer dizer, tinha feito um upgradezito de algumas peças e tinha uma MB mesmo á mão. P4 a não sei quantos km/h, uns DIMMS meio tortos e uns discos pequenos a precisar de morrer condignamente. Só faltava o software.

Aqui há uns tempos, salvo erro num evento do ano passado um amigo andou a distribuir uns discos de uma coisa chamada Ubuntu. Bem… um software com este nome deixa-me logo de pé atrás, mas como sou avesso a deitar coisas fora, guardei. Nada melhor do que desenterrar aquilo e tentar instalar a coisa. A razão principal é uma sucessão de baboseiras que se podem resumir a coisa simples: como todos “odeiam” o Windows por causa dos buracos, da segurança, deixa cá utilizar uma coisa á prova de tudo e mais alguma coisa. Linux!

A minha primeira experiência com Linux tinha sido á uns anos quando tentei instalar um versão Mandrake ou RedHat, (por falar em nomes…). Para quem se diz independentes e alternativa ao Windows começam logo por utilizar o dito cujo para fazer as disquetes de arranque… Bem. Consegui por o ecrã a pedir-me, com ar cândido, para instalar uma mão cheia de coisas.

Entupi na cena dos discos. Diz ele: Configura o HD, please! Como? Supõem-se que deve ser o sistema operativo a configurar as coisas? Ou tenho que arranjar um operador para o fazer? Claro que os “importados” do Windows não funcionavam e muito menos a cena “tipo DOS” andava lá perto. Nada. Não configurei coisa nenhuma e ainda hoje estou para saber como é que a coisa se faz. Suponho que devia precisar conhecer o BIOS da MB e do HD. Coisa de escarafunchar numa qualquer linguagem esotérica nas entranhas do bicho. O mais próximo que andei foi quando abri um ou dois dos antigos, grandes de 5 Mb e que passaram a engrossar o monte dos avariados. Ainda me lembro de um colega que resolveu tirar uma radiografia ao disco do pc. Ficou com uma imagem espectacular que circulou durante muito tempo por ai. Claro que perdeu os dados que lá tinha e o cabelo por cima de uma orelha. A pelada já se nota pouco, mas os dados nunca mais os encontrou.

Já agora, para que sitio vão os dados que se perdem? Eu cá imagino a perda de dados assim como quando se morre. Há um paralelismo entre perdemos os dados e a alma. Se calhar no Céu há um armazém dividido ao meio por um corredor muito comprido. Dum lado prateleiras cheias de almas, do outro carradas de dados. Ou então uma fileira de servidores RAID tipo DATA CENTER, discos vermelhos = almas, discos verdes = dados. Ou então Ecopontos, saco verde = almas, saco vermelho = dados.

Mas voltando ao Ubuntu. A coisa até correu bem. O site é simpático e dá para descarregar tudo em ambiente janélico, versões novas, gravar em CD, enfiar tudo na drive e ficar com o pc cheio de software novinho em folha e que até tem bom aspecto. Digamos que cheguei a jogar umas horitas e a instalar uma impressora. Quer dizer, usar uma impressora que já estava instalada na rede do Guilherme.

Depois passei ao Apache. Lindo. Só vos digo que acabei com três, 3, (TRES), instalações diferentes paralelas da po’’a do software. Não me perguntem como é que foi que eu só dei por isso depois. Mas o que é certo é que não consegui chegar lá. Nem perto. Primeiro não havia sinais de nada instalado. Nadinha. Depois bem procurei pelas pastas. Pastas de pub, encontrei. Ainda hoje estou para saber para que raio é que eu queria Pub. Agora o sitiozito onde estava enfiado o Apache, nada. Não sei se era ou não fácil de configurar, primeiro tinha que o encontrar. Andei nisto umas semanas.

Não pensem que a culpa foi só do Ubuntu, foi também minha. Ninguém me mandou…

Descobri uma coisa gira no Linux. Não tem discos. Só tem lugares, sítios, folders. Ou seja, se queres saber onde esta qualquer coisa ou sabes, ou tens que conhecer quem saiba. Procurar? Deve ser possível, mas eu não sei como. E perdi a vontade.

Desisti. CD do Windows para cima e a coisa começou a ser mais reconhecível. Bem. Continuemos com a parvoeira.

Apache versão Windows? Sim, mas como é que se configura isto? Editar com o Notepad? Logo vi… E uma coisa assim tipo: Configuration Utility? Népia! Ok e ajuda. Encontrei! “Se quiser alterar a conf, coisa que desaconselhamos, substitua a string, (%$”(%$, no modulo OIFUOFSIOFH”. E já não é mau. Mas já agora, substituo com quê? E para que serve o modulo? E a Strig faz o quê? Áh… como a substituição é a unha, no Notepad, a coisa já estava no bom caminho. Só podia. Mas lá consegui por a coisa a bombar. E recebi uma pagina a dizer: IT WORKS. Caramba. Boa. Funcionava! O meu site é que não…

Não imaginam minha alegria quando vi o Apache alegremente a piscar! Moços, eu juro que coloquei cópias do site em tudo o que era directório, enchi literalmente o disco com clones. Já que não consegui fazer a me’da do software ler o sítio certo, tinha que ir á procura dele. Claro que a capacidade do disco, 40G menos o SO, acabou. Mas “It Works”!!!!! Até chorei.

Por falar em site. Normalmente é preciso haver site, a parte do conteúdo. Procurei também software grátis. (Já agora deixem-me perguntar uma coisa, se a maior parte do pessoal tem o I-MULA a esgalhar nas horas, porque é que se importa tanto com o software grátis? Não percebo.) Encontrei o NVU. Não… podia ser melhor… Só durou umas horas. Passei-me, literalmente, para o FP2003. Tem o maldito costume de bloquear de duas em duas horas, mas quando percebes o truque, gravar de 1h55m em 1h55m, a coisa até flúi bem. E tem uma vantagem enoooorme: não manda editar nada como notepad.

Eu se fosse á Mircosorft eliminava o notepad. Acabava logo com as veleidades á maioria da malta da polvora.

Pelo caminho ficou uma coisa chamada Xerver. Para quem não sabe é o projecto de fim da primária de um tipo qualquer paquistanês a estudar nos States. Devia ser servidor http e ftp. Devia. A cena do http ainda vá que não vá, mas do ftp é mentira. É tão passivo, tão passivo que ainda hoje estou á espera que comece.

Imaginem isto: há um folder que se chama “other files” e que fica dentro da directoria principal da instalação do tal de Xerver. É o sito onde ficam outros modos de arranque. Modos mais leves ou alternativos. Segundo as instruções o programa durante o arranque do Windows procurará na pasta principal o ficheiro de início, escolhido pelo utilizador segundo as suas preferências. Simples. Pois. Não funciona. Não reconhece nada e arranca sempre pelo “minimum resources” A bem dizer a diferença entre o minumum resources e o full resources é só a existência ou não de uma janela a dizer: “Xerver a bulir”. Seja como for, funcionou durante os testes. Consegui ir vendo o “meu site”. Mas como todos sabem, a coisa tipo “minimum resources” não dá pica, tem que ser tudo ássapar, o que eu queria é o full a esgalhar. Qualquê!

Nesta altura o Ubunto+NVU +Apache, estava reduzido a Windows+FP+Xerver… e eu a ficar reduzido á mais abjecta das dependências. Mas a coisa acabou em bem.

Então não é que o XP-Pro vem, de origem, com uma coisa chamada IIS v5.1?

E sabem vocês o que é? Um servidor de http! Configurável com GUI, helps, janelas, popups e essas enormidades! Só aceita 10 ligações simultâneas, que se podem martelar para 40, mas tomara eu que nos dias felizes de funcionamento do meu site ter esse numero por dia, quanto mais simultâneo…

Como toda a malta a quem eu melgava o juízo a pedir ajuda se punha logo a dissertar sobre segurança e outros defeitos do material a pagantes, tratei logo de arranjar todos os patches,  updates e downtools para o coisador. Acabei com tudo tão aferrolhado que até o FTP se recusa a dar sinal de vida, mas pelo menos a cena do IIs demorou só, mas só, 30/45 minutos a configurar. Juro. E bomba.

Demorei quase 4 meses a chegar, mas cheguei. Fartei-me de aprender coisas novas, (principalmente no Notepad). Confirmei que coisa com nome esquisito só pode ser esquisita. Que quando é seguro, é porque ainda ninguém percebeu como é que se põe a funcionar. Ou então só é seguro porque ainda não funciona. Que quanto mais seguro menos gente sabe o que é. Que se fosse bom era pago. Que não vale a pena inventar a roda. Que podia ter aproveitado melhor o tempo.

Aiai, cada vez gosto mais do gajo dos portões.


2 de Agosto

Geocaching for Dummies

VI – On cache Location

Chegados perto do ponto zero, só há duas opções. Duas. Só.
Ou se dá com ele, modo "gotcha", ou não se dá. Simples.
Se damos com ele a melhor maneira é ouvir. Assim que o GPS indica 0, deve-se ouvir um barulho, crack, plop, pfffft. Qualquer barulho que indique já se deu com o contentor.
Se não se ouvir nada entra-se em modo “barata tonta”, a segunda e ultima das opções.

Recapitulando: ponto 0=plop – OK, Ponto 0=silencio –  tás ph’th’th’.

Na primeira opção o passo seguinte é apanhar os bocados e, dependendo da existência de companhia fazer ou não ar contrito, escolher o que de valor lá há, escrevinhar qualquer coisa no livrito, que normalmente sobrevive muito bem a pisadelas e voltar a enfiar tudo no saco. Saco esse que, não existindo previamente,  deve ser de imediato colocado a segurar o que resta da cache. Preto, branco, verde, ou mesmo amarelo vómito, não interessa. O que importa é que, se a opção for essa, os restos não devem ser deixados por ali. Claro que depois há que deixar uma nota no log, clara e concisa, para que se possam receber os agradecimentos do owner.
Mas voltando á cache descoberta com rapidez. É possível que haja dentro alguns objectos de valor, normalmente reduzido, um lápis ou algo que escreva e umas folhitas com um blabla qualquer. As prenditas são para trocar. Tiras uma e deixas outra. Não tendo nada para deixar, também serve tirar agora e deixar depois. Se não houver tens direito de escrever umas bocas no log e deixar subentendido de que a cache esta pobrezinha. Lápis, ou canetas acabam muitas vezes por ser as únicas coisas de valor existentes. Em principio seriam para ficar, mas se não houver mais nada podes abifa-los mas convêm depois logares um “need maitenance” senão acabas com as culpas.

Nota: Recentemente começou a moda de deixar lápis do IKEA nas caches. Nessa circunstância é melhor deixa-los lá. Assim como assim são oferta e não prestam.

Poderá acontecer que o crack seja tão intenso que os restos fiquem irreconhecíveis. Sendo assim é preferível, deixar tudo como está e fazer um NF. Posteriormente, já sem GPS podes ir lá de novo, assim como assim já sabes onde esta. Normalmente em caso de reposição o owner terá posto prendas novas e possivelmente originais. No entanto se for uma questão de muita importância, poderás fazer o log, mas dizendo que a cache estava destruída e que é preciso manutenção. Seja como for, e como é aconselhável não repetir estas acções muitas vezes, é preferível não pisar muito intensamente no ponto zero, apenas o suficiente para localizar a caixa. Repara que se começares a fazer muitos NF não avanças na contagem ou então chamas a atenção para a quantidade de caches vandalizadas que "encontras".

No caso de teres entrado no modo "barata tonta", há algumas variantes, todas elas de alguma forma ligadas umas ás outras. A fase barata tonta é motivada por um maior ou menor inventanço por parte de alguém. Esse alguém tanto poderá ter sido o owner que se espalhou a apontar o ponto, ou que utiliza um GPS de ultimo modelo, o modelo retirado de produção normalmente por incompetência e já não fazem mais. Ou então o ultimo procurante, que ou resolveu atirar com a caixa para um sítio qualquer, ou tentou colocar aquilo em local "melhor".

Algum autores pretendem fazer distinção entre variantes da fase “barata tonta”. Vamos descrever algumas, se bem que, em nosso entender, sejam basicamente as mesmas e representem unicamente o percurso do desgraçado que não faz a mínima de onde é que a coisa se encontra, a saber:
A variante “flor”, meio abichanada e onde se tentam reproduzir as formas de uma flor, normalmente em bicos, (?), de pés para não deixar nada senão sombras!
A variante “Vai e Vem”, tambem conhecida por "variante burro" porque se já tinha visto ali só mesmo por enorme burrice se volta a espreitar no mesmo sito.
A variante “macho”, se é para ser a direito é a direito mesmo. No caso de demorar mais tempo até se encontrar a dita coisa, é provável que tenha que ser evacuado por meios acessórios porque normalmente implica perdas de sangue ou , em casos extremos, de partes importantes do corpo.
A variante “elefante” em situações de terreno livre, também chamada “catrapila“ se envolve construções. Aqui a procura é normalmente destrutiva e implica grandes alterações na flora ou nas construções.
A variante “deixa cá ver” que é melhor descrita como “sentada”. Implica grandes doses de xanax e é adoptada pelos que, estando acompanhados, afivelam umas ventas pensativas e dissertam sobre identidade de pensamento, experiência, reflexão ou então tem é sono.
Por ultimo a variante, “tenho rede?”. Aplicada pelos mais sociáveis, apressados ou impacientes, utiliza o telemóvel no auxílio á caça, normalmente com rápidos resultados.

Depois de se ter encontrado a cache é possível aplicar ao conteúdo o mesmo tratamento descrito na opção Crack. Escolha criteriosa de prendas e logs locais ou posteriores.
Chama-se, mais uma vez, a atenção para não insistir frequentemente no mesmo procedimento aquando da opção Crack, pois é natural que haja cruzamento de ocorrências e acabem a fazer figuras mais tristes do que aquelas que fazem sempre que saem de casa para o Geocaching.


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Cap VII – Going home

20 de Setembro

Manifesto Bio-degradavel

Arre...

Claro que é a minha opinião, claro que sou fundamentalista, claro que vocês não têm razão nenhuma.

Dito isto…

Até nem uso muito sacos. O pessoal anda de olho neles, por isso são muito conspícuos.
Quando ando á caça procuro qualquer coisa preta, quando muito verde vómito. Só quando não funciona é que começo a olhar para outros objectos com ar de deslocados naquele ambiente.
Por isso é que acho que qualquer coisa “notável” se nota demasiado. O que se torna perigoso em termos de longevidade da coisa.

Nada melhor para ser muguelizado do que notar-se. O que não se nota não se mugueliza.
Pior ainda, coisos todos pipis, abichanados, a dizer GEOCACHING! OFFICIAL GEOCACHING! Alem de ser um abuso económico, negociata manhosa, enriquecimento indevido, nota-se! Vê-se! A milhas.

A cena é mesmo por aquilo a ver-se, como todos vem os muglers atiram-se aquilo, empandeiram os interiores para o caixote do lixo e o Jeremias vende mais. Apoiado pela pandilha dos “milhares de gajos” o rapazito vende caixitas aos kilos. Pior que tudo é o preço, o tempo que demoram e as taxas envolvidas. Roubam todos. O Jeremias, a alfandega e os muglers. E ainda vocês querem que eu alinhe nisso? NowayJozei!

Os saquitos vendem-se no contênêntê, os patarueres no chinês, lápis no IKEA, blocos no escritório. Sacos dos congelados, molas da roupa, do cabelo. Bilhetes de autocarro, de cinema e dos saldos. Pins do Porto, (Fonix, do Porto?), relógios avariados, pilhas a babar, isqueiros vazios, fósforos molhados. E já está!

Quando muito á laia de TB ainda se encontrava um passaporte abandonado já meio desfeito pelo tempo, agora com a mertha da mania das Geocoinas já se olha para os Tb com ar revoltado. O que vale é que o pessoal se borrifa na contagem e pesca-as mesmo sem ligar muito aos logues. Tempos modernos.

Mas não há crise, agora a moda é mesmo a fotocopia. Começou. Vamos a ver como acaba. Não sei o que é pior, se encher os bolsos ao Jeremias á custa do registo no Geo.com, se os bolsos aos chineses que as fazem. Razão tem os amarelos. Se é para brincar, paga. Ainda não se lembraram, mas não deve faltar muito, pacotes de caches, pré cozinhadas. Tipo feijoada de caches do Gerez. Entrecache á Alto-alentejo. Ou Cacheirada á Algarvia. Tudo registável no Jeremias. A pagantes.

Por falar em monédas. Qual é o impedimento de pegar, não em uma, não em duas, não em três, mas meus senhores, em dúzias. Dúzias. De fotocópias de geocóines. Cada uma delas inteira, com o respectivo passaporte, que isto de regras é para cumprir e o respeitinho é muito bonito, e despeja-las em tudo o que for contentor OFFICIAL GEOCACHING? Quando encontrar um desses milhares de gajos de que tanto se fala hei-de-lhe perguntar. Afinal até foram eles que se lembraram primeiro.

O único problema era mesmo conseguir diferençar aquilo do molho dos restantes papéis. Entre stachnotes em varias línguas, wellcomes poliglotas incluindo muglês, descrições do local com biqueiros de fotos e varias outras complementaridades escritas em papel biodegradado, mais ou menos palermices fotocopiadas deviam fazer tanta diferença como agora. Confesso que ainda estou á espera de ver um muglîco sentado á beira de uma cache completamente siderado com a proliferação cultural presente. Cultura OFFICIAL.

Mas eu mantenho a minha. Sorry but, se algma vez forem comigo dar uma passeata nonOFFICAL-GEOCACHING e estenderem a mão para o saquito preto, não meio, não ¾, mas perfeitamente abandonado, completamente esquecido, ignobilmente ignorado, levam um tabefe. Dos grandes. Daqueles inesquecíveis.

Agora, se nas mesmas condições, no mesmo local, exactamente na mesma posição, coorenadóequivalentemente coerente, estiver um contentorzito OFFICIAL GEOCACHING, e vocês passarem lado despropositadamente de lado, prometo que murmuro baixinho, “artolas”, “é mesmo abstruzio”, “nem se te batesse na mona”, “cegueta”. Mas não digo nada em voz alta, só mesmo cá para os meus botões.

Com que então vocês acham que as caixelhas dos chineses tem um jeito especial de chamar a atenção quando estão embrulhadas num reles saquito? Maior do que uma coiselha OFFICIAL GEOCACHING plantada no mesmo sitio? O sentido do humor é mesmo uma coisa sem sentido. Se se queixassem do cheiro a bife, sabonetes, perfumes, geles de banho ou das camisinhas com sabores variados, vá que não vá, agora do saquito biodegrada-do-nte-vel? Chatos.


29 de Setembro

A primeira vez é a que custa mais?

Da primeira vez que fiz TT com a mota correu que nem ginjas.

Da segunda também, só que para a oficina. Desisti. Resolvi comprar um jipe.

Comprado o carrito, é da praxe enfiar com ele logo no mato. O problema é que ele devia ter milhentas mais de horas de mato que eu, mas o gajo não me ensinou nada. Falha de comunicação, assunto de terapia, presumo. Já estava mesmo a ver o tipinho com ar de gozo debaixo do capota, a rir-se que nem um perdido.

Mas começando do principio, que até nem correu nada mal, dadas as circunstancias…

A primeira coisa com que todos me enzucrinaram o juízo logo de inicio foi: não vás sozinho. Confesso que não percebi. Primeiro não ia sozinho. Depois, que diferença é que fazia. Se fosse pelo peso, ainda vá que não vá, sempre era melhor que encher o pobre do jipe com sacos de areia. Adiante.

A ideia deve ter partido de um tipo solteiro. Assim sempre tinha companhia em caso de ficar atascado, ou então sempre podia dar apoio moral, ou outros, em caso da acompanhante ficar aterrorizada. Agora eu? Ou então no caso de não poder voltar a horas decentes sempre poupava a explicação mais parva: “filha, tive enterrado até aos cubos” (… aos quê?). “Não consegui sair a tempo e horas”. “ A areia era muito funda”, “Ou muito mole”, o que ainda era mais ridículo…

Mas prontos, lá peguei na maria e no resto da tropa e fomos todos.

Direcção: Lagoa de Albufeira. Que isto de trabalhos de casa é para se fazer em casa. Nada melhor. Chegados ao local depois de ler as dicas lemos a descrição. Bonito, aquela coisa anda a direito em todo o terreno, menos a vau em terrenos lamacentos com vários metros de profundidade. Primeira parvoeira. (Escusam de contar porque ainda procissão vai no adro.)

Voltamos para traz e fomos direitos a segunda opção: Fonte da telha. Melhor, muito melhor. Pena que o pobre do carrito tivesse posto todos com ar de pescada. Só se ouvia era o pessoal já com ar de vómito a mandar vir: “se andar de jipe é o mesmo que andar de barco, para a outra vez vou ao Barreiro”. Que culpa é que eu tinha que o caminho era aos altos e baixos. Já me bastava controlar o meu enjoo e ainda tinha que os ouvir.

Chegamos a Lagoa, desta vez do lado certo. Demos com a caixelha e almoçamos. Fácil e barato.

Todos para dentro do carro e voltamos para trás, eis senão que aparece ao canto do ecrã do GPS a setinha marota, 900 metros. Se bem me lembrava um bocado a seguir havia um caminho á direita. E havia mesmo. Quer dizer, era á direita, caminho é que não. Vamos? Vamos!

Uns metritos mais abaixo a boa da setinha, vira-se de lado, ri-se e diz outra vez: direita!

-Direita?

-Sim, direita.

-Mas ali só há pinheiros e no meio, por baixo, por cima, de lado, em frente e por traz, areia. Areia. Tipo praia, mas sem agua. Quando muito umas pinhas as servir de cachuchos.

-Pois. Direita.

Lá viramos por ali a baixo. Devagarinho não fosse a coisa plantar-se. Decidi ir pela berma, porque os trilhos pareceram-me muito fundos. Primeira asneira, (primeira deste grupo, que os outros já estavam completos). Voltamos aos trilhos depois de passar por cima de uns montes de pinhas que só do barulho me puseram mais uns cabelitos brancos.

Mas realmente os trilhos eram fundos e os arbustos competiam em barulheira com o rádio e com o bater dos dentes. A determinada altura decido sair dos trilhos. Rodo o volante. Nada. Parece que me tinha esquecido de transmitir essa vontade em voz alta ao carrito. Seguia a direito impávido e sereno. Mais uns graus. Nada.

Mais meia volta, idem. Já ia quase com 360º de rotação no volante e a pensar cá para mim que ainda me esquecia para que lado é que estavam os pneus virados. Nada.

-Tu queres ver que esta me’da ainda dá um sAAAAAAAAAAAALTO!!! Etalélé! Isto é giro, penso eu cá para os meus botões, com medo de repetir não fosse correr mal da próxima vez.

Já ia todo contente outra vez em cima da berma quando me apercebo da gritaria e das ameaças, muito, mas mesmo muito, físicas. A po’’a do GPS tinha dado 3 saltos mortais empranchados á retaguarda e aterrado mesmo numa das rotulas da maria que entretanto estava ainda á procura de um sitio para se segurar, depois de ter, aquando do salto, andando a tirar as medidas ao lugar do pendura.

(Só se for para isso, assim o pendura segura e apanha o equipamento quando se espalha tudo pela cabine.) A coisa foi de tal maneira que fui intimado a parar o carro e fazer o resto do caminho a pé. 10 metros! Vejam lá, tive que andar a pé porque a maria ficou com medo.

Descobrimos a cache e voltamos. Bem feitas as contas, andamos 20 metros mais sem necessidade nenhuma.

Agora é voltar vilanagem. Tudo dentro do carro e “quelá saber, agora vou de prego a fundo e pelos trilhos”. Até que nem foi mal de todo, não houve saltos, nem cachuchos atropelados, nem muita barulheira. Correu bem. Viemos todos, incluindo uma nódoa negra e um ligeiro manquejar, mas penso que um dia destes já poderei ter sexo outra vez. Todo acabou em beleza. Gostei. Já fiz mais, mas esta é só a historia da primeira experiência.

Continuo a não perceber bem a cena de não ir sozinho. Cá para mim deve ser a mesma razão que leva o outro a deixar preservativos nas caches. Ele há cada maluco. Fiquem bem.


12 de Dezembro

The Pickle Jar...

 

Trimmmm.
Trimmmm.
Trimmmm.
Trimmmm.
Clic.
- Bom Dia.
- Bom dia Maria podia falar com o Pedro?
- Vou ver se está, podia-me dizer quem fala?
- Diamantino.
- Olá, Sr. Diamantino, muito prazer em falar consigo, vou passar a chamada!
Tralalala. Plimpopopopo.
Tralalala. Popopopo. Tralalala. Plimpopopopo.
Popopopo. Tralalala.
- Olá pá. Tás bom? Não ligavas há muito tempo. A família?
- Olha, muda a porra da música da central que já é só guinchos e mal se ouve. A família tá boa. E tu?
- Telefonaste só para pôr defeitos? Também, está tudo bem. Diz...
- Queria pedir-te um favor...
- ...logo vi...
- ... deixa-te de bocas! O último a ligar fui eu!
- Pois... era isso que eu queria dizer.
- Deixa-te de bocas óh maricas.
- Homem, não digas asneiras quando ligas para aqui... Ainda arranjas problemas, e aos dois.
- Porque? O teu patrão ainda tem aquele mau feitio?
- Já esteve pior.
- Não me parece, acho que está cada vez pior.
- Ainda fazes com que seja despedido!
- Vais trabalhar para a concorrência.
- Nem penses! Para o outro gajo? Nem morto.
- Realmente, entre esse trabalho e trabalhar para o outro, venha o diabo e escolha! Hahaha!
- Cala-te! Não podes dizer isso páh? Chiuuu!
- Porque? O velhote ainda está à escuta de tudo? Ou já instalou equipamento automático?
- Não, ainda é tudo à maneira antiga.
- Semítico, o que vale é que já é meio surdo.
- Pois! E passa o tempo todo a dormir!
- Então já és o Gerente?
- Não! Continua a ser o filho.
- Esse não aparece há muito tempo...
- Pois, seja como for, eu não mando nada. Sou só o porteiro. Mas diz lá o que queres.
- Tenho estes dias de ferias e vou para Sines.
- Tu nunca trabalhas, porque que é que dizes que tens uns dias de ferias?
- Tas muito bem disposto... Quando puder falar, dizes, tá bem?
- ... diz...
- Tenho uns dias de ferias e queria que tu desses um jeito no tempo.
- Vais fazer o quê? Aquela coisa do geocaching? Ou cagar o jipe?
- Posso fazer as duas coisas ao mesmo tempo! Mas se fosse só cagar o jipe não precisava da tua ajuda!
- Tu? Deixa-te de coisas, precisas de ajuda para tudo! Já te conheço! Vais fazer as caches de lá?
- Sim, e uma atrasada.
- Atrasada? Ali não tens atrasadas.
- Não é dali. A atrasada é mais longe.
- Não me digas que vais tentar outra vez aquela em que não acertas com a estrada?
- Sim! Essa...
- E achas que dás com o caminho agora?
- Não tem muito que saber. Só tem dois caminhos, não me posso enganar sempre.
- Pois... gajos normais...! Tu gostas muito de te meter em avarias. Olha que esse tem a mania de complicar. O caminho é a parte mais fácil e tu já te espalhaste 2 vezes nessa parte. Cá para mim...
- Não me digas nada. A Virita ia tendo o fanico da primeira vez.
- Ela tá boa? Não a vejo há muito tempo.
- Tá! Cada vez melhor! Olha, vamos fazer a consoada cá em casa e contamos contigo.
- Agradece-lhe, mas vocês sabem que não posso.
- Continuas na mesma. Não dá para te baldares, nem só uma vez?
- Não posso, sabes que nessa altura vem cá o neto do velho e tenho que estar presente. É a mesma coisa todos os anos. Já sabes como é, mas agradeço na mesma.
- Tu é que és sempre a mesma coisa. Nessa altura é porque vem o puto, na passagem do ano é o balanço, na Páscoa é por que tens que fazer o assado...! Que raio de emprego. És sempre a mesma coisa, um baldas.
- É assim que se ganha o céu!
- Hahaha!
- Isto tá mau de empregos...
- Olha lá, mas voltando ás caches, tu que nunca dás abebias nenhumas estas a dizer-me que a cache é difícil?
- Eu não disse nada! Nem sei o que se vai passar.
- Pois, mas da última vez que tiveram que fazer reparações no futuroscopio, mandaste instalar o plasma maior no teu quarto! Só para ensaio? Passas o tempo a espreitar, pensas que não te conheço?
- Claro! Como tenho que verificar o sistema muitas vezes, assim é mais fácil...
- Claríssimo! Quem não te conhecer...
- Pois, difícil não é, mas a dica não presta, o local tem pouca recepção, a encosta é quase a pique e a classificação tá curta! Muito curta. E buracos é mato. Burrinhos na água, aposto. E não tem cobertura…
- Mau! E pior que o costume?
- Não, igual.
- Tou farto de lhe dizer, mas ele não há meio... Tu e que podias dar-lhe um toque.
- Era bonito! Mandava daqui um anjo a dar-lhe a boa nova: “Olha, a malta acha que as tuas caches, blablabla...”, e dava-lhe o fanico. Ainda começava a pensar que estava grávido.
- Não era mal feito, tou farto de DNF nas caches dele. E as outras?
- As da moça com nome esquisito...
- Não sejas assim... Ela já mudou de nome!
- ...sim... e escolheu nome masculino...
- Deixa-a em paz! Diz lá coisas sobre as caches!
- A primeira...
- Qual primeira?
- Quantas primeiras é que há?
- Sei lá, po’’a! Tu é que sabes...
- A primeira é ranhosita, mas as outras são boas. Se estiveres á rasca, dá uma apitadela…, para aqui não, já sabes, mas tás a vontade, alguém te há-de dar uma ajudinha... como de costume...
- Qual primeira pah, qual e a primeira?
- E ele a dar-lhe, logo vês. A da outra... Ouve lá? Tou a reparar agora, tiraste o fim-de-semana para as moças? Só caches de tipas! O que é que a Virita diz destes teus planos?
- Deixa-te de gaitinhas! A primeira não é de um gajo?
- Disfarça... disfarça... Bem, a outra enganou-se nas coordenadas e a coisa tá a alguns dez metros, mas é fácil na mesma...
- Bonito! E mais?
- Mais? Queres ir fazer caching ou e visita guiada?
- Deves ter muitos amigos, deves, deves…
- Olha, para não estares com merdas, ficas já a saber que não vais conseguir nenhuma de gajos.
- Hãm? Quê? Que é que tu queres dizer com isso?
- O que disse, gajos népia!
- Nem a do tipo dos calhaus?
- E isso é lá cache? Ainda gastas gazole com essas?
- Gazole?
- Gazole é essa mistela ranhosa que tu metes no depósito do jipe, ainda ‘odes o motor aquilo se antes não o espatifares nalgum buraco. Eu nem preciso de ir ver onde tu andas, basta sentir de que lado vem o cheiro… Ainda és preso por andares a fritar batatas na autoestrada.
- Ecologia! Ecologia páh, isto é que me saíste cá um funcionário! Ouve lá quando é que te casas?
- E continua... … …
- Mas... andas a sair com alguém?
- Deixa-te disso! Não tenho tempo para essas coisas. Farto-me de trabalhar.
- Pois! E dessas que estão sempre a aparecer ai?
- Não prestam. Umas são velhas, outras vem todas arrabentadas e o resto tá todo podre, doentes, todas janadas.
- Andas a espreitar nos processos? O velho não te dá nas orelhas, óh cusco?
- Então não tenho que os ler quando cá chegam? Sou eu que os distribuo pelas secções, tenho que lhes ler o curriculum.
- Ouve lá, e a telefonista?
- Essa? Tá cá desde o principio. Velha é piropo... Já nem se levanta.
- Quem não se levanta sei eu quem é. Mas diz mais coisas sobre o meu fim-de-semana.
- Se te digo não tem piada, alem disso não posso. Só o velho é que pode espreitar...
- E tu não podes? Deves estar a gozar! Vá lá...
- As da miúda das barragens estão boas, mas vais ter azar lá na barragem.
- Quê? Atasco o jipe?
- O mais certo! Mas, medricas como és, nunca terás esse gozo.
- A Virita é que tem a culpa, ainda vou no alcatrão já ela está aos gritos porque não há caminho. Mas o que vai acontecer?
- Põe-te a pau com as dos gajos. Uma das outras não presta e vão todos moer-te o juízo.
- Afinal, quantas é que eu não vou encontrar? E qual é a da barragem e a que não presta?
- Nenhuma.
- Nenhuma das caches?
- Sim. Não! Logo verás! Alias, vais andar todos os dias em barragens. E na merda!
- Merda? Na barragem?
- Sim, na outra.
- Qual outra? Mas afinal quantas barragens e que há?
- Sei lá... Uma data delas. E não me perguntes, és tu que escolhes.
- Afinal a porra do aparelho não ficou arranjado.
- Ficou, mas o gajo lá debaixo de vez em quando faz interferências e não deixa ver. Eu acho que ele até baralha as imagens. Mas o velho não acredita, tem a mania que o sistema é perfeito.
- Tu é que passas o tempo a ver pornografias. Metes-te no quarto a ver gajas nuas.
- Não digas isso, se ele ouve ainda me arranjas problemas, ciumento como é...
- E só faço essas? Um fim-de-semana é só isso? Espreita ai as do tipo dos calhaus, estava a pensar ir procurar uma dele.
- Dos calhaus? Está debaixo de um, what else... Que é que queres saber?
- Rico fim-de-semana! Tu és muita chato, podias ajudar aqui o teu amigo e não há meio.
- Não posso! Tás com medo de cagar o jipe ou quê?
- Não. Não tenho medo de cagar o jipe. Se tivesse medo de cagar o jipe tinha comprado um castanho...
- Só havia aquela cor... E o aldrabão sou eu!
- Deixa lá isso. Dás um jeito a máquina do tempo ou não?
- Não posso! Aquilo esta já tudo fodido! Não posso lá ir mexer. Se aquela merda avaria de vez quero ver...
- Pois. Era arranjada de vez. Vá lá, vais ver e adiantas ou atrasas uns dias. Não é preciso muito. Pode ser só um jeito para não chover. Já dava.
- Vais o fim-de-semana todo para as barragens e andas com medo de água? Não posso. O velho não quer que eu vá lá mexer. Esta sempre a dizer que vocês foderam tudo agora tem que se amanhar com aquilo assim.
- Como se eu acreditasse que não vais lá dar uns biqueiros quando andas chateado com ele. Ele ainda te chateia o juízo como antigamente?
- Agora já anda mais calmo e com vontade de se reformar.
- Sério? Ele já tá muito velhote, já se está é a borrifar. Pôs a barraca á venda?
- Não! É mau para o negócio. Se ou outro descobrisse era uma bronca das antigas! Ainda íamos a falência. Ou lançava uma OPA. Já viste o que era??
- Mas se é para ir para a reforma? Até podia ser que o vosso vizinho da cave tomasse conta disso melhor. Era capaz de investir uns cobres. Até seria bom para ti.
- Tu és mazé doido, já não tenho paciência para patrões arrebitados. Fica para o puto, já fez o testamento.
- Hahaha! Outro novo?
- E só mais uns anos até o miúdo crescer e toma conta do negócio.
- Desde que me conheço que o puto está na mesma, parece que não cresce. E o filho?
- Não aparece cá há muito tempo. Vou ver o que posso fazer, mas não prometo nada. Aquilo esta preso com arames, tá tudo ensarilhado. Já não tem afinação. Pinga agua, sopra, faz barulho, estremece tudo, ás vezes parece que se vai desmanchar.
- A quem o dizes, aqui ainda é pior. Manda mas e o velho arranjar aquilo quanto antes, antes que caia tudo cá em baixo... Bem, abraços e dá-lhe cumprimentos meus.
- Eu dou, mas ele ainda está meio chateado contigo.
- Ainda, depois de tanto tempo? Queria que eu me levantasse cedo ao domingo só para ir ao beija-mão? Passou-se de vez... Prozac!
- Também era a única coisa que ele te pedia e tu não fazes! Porquê? Ainda és mais teimoso que ele.
- Também não é preciso estar zangado comigo só por isso... Artolas de velho..., adeus! Dá beijos à gaja do telefone e aparece um fim-de-semana destes.
- Beijos? Se lá fosse dar-lhe beijos teus, estávamos os dois lixados, havia de ser bonito, deixa a tipa em paz, andas sempre a inventar! Adeus, fica bem, beijos à Virita e a Catarina e abraços ao resto da malta.
- Dou. Porta-te mal...
- Maricas...
Clic....
Clic....


22 de Dezembro

Aqui não há criados!

“…Lastly, you can put goodies in the cache. It's recommended, but not necessary!:…” (http://www.geocaching.com/about/hiding.aspx)

Traduzindo mais ou menos literalmente, dá:

“Última, você pode pôr goodies no esconderijo. Recomendo, mas não necessário!”

Ou seja:

“PODEM ser colocadas prendas nas caches. Fica ao seu critério. Não são obrigatórias nem necessárias!”

Tudo isto porque vi recentemente numa cache, por sinal ao segundo found, uma reclamação sobre a quantidade e/ou qualidade dos itens disponíveis.

É comum, demasiado comum, tristemente comum, apercebermo-nos de que, com o passar dos tempos, a qualidade e a quantidade dos itens presentes nas caches vai decrescendo. Não é incomum encontrar coisas absolutamente indescritíveis, das quais, e apenas como exemplo, cito ganchos de cabelo e bilhetes de autocarro. Mas já vi relatos de pastilhas elásticas USADAS, caricas, rolhas usadas e pedaços de brinquedos partidos.

No meu caso pessoal, aproveito a desculpa das caches para ir passeando, conhecendo locais, situações. Desculpas para apanhar ar, chuva, sol, vento na moleirinha. A maioria das vezes, o interior das caches é secundário, salvo se tiver alguma bola ou pin, que conscientemente rapino para engrossar a colecção. Também nesses casos despejo lá algumas das coisas que por norma trago propositadamente na mochila. Já tive a fase do porta-chaves, da 2CGeoCoina, etc., etc. Presentemente são restos de uma promoção do CM sob a forma de pulseiras. Foleirosas, mas decentes. Mas é frequente não trocar nada.

A minha reclamação, (??), prende-se por isso, não com o conteúdo mas com o conceito em si. A coisa até pode estar embrulhada num saquelho preto ou verde vómito, mas não tem que ser forçosamente lixo. A noção da procura de “um tesouro” pode ser posta em causa se os interiores forem, mesmo, lixo. Até podem procurar apenas pelo prazer do enriquecimento, assim tipo Totoloto, mas a menos que se tenha falhado nos respectivos logs, não me parece…

A coisa até é simples, ora reparem. Um owner põe uma cache. A cena é mostrar os aspectos menos conhecidos do “bairro do Pina Manique”, não é distribuir riqueza ou contentar egos mais materialistas. Faz a coisa conscienciosamente, incluindo uma colecção aceitável de cangalhada.
Passado uns logs alguém, claramente imbuído de espírito reivindicativo, desata a mandar vir com a qualidade das prendas presentes. Eu cá aplaudiria se o owner arriasse umas bojardas que incluíssem comentários acerca dos hábitos higiénicos, profissão dos familiares e prognósticos sobre futuro dos companheiros que reclamaram. Mas isso não resolveria o problema. Poderia resolver, eliminar, simplesmente, os abarbatadores. Altamente recompensador mas politicamente incorrecto. Portanto, não praticável.

Vendo bem, a qualidade dos presentes presentes, (etalélé…), em cada cache é mantida, portanto obrigação, por cada um de nós. Ao owner, compete manter a coisa, não alimentar hordas de “saqueadores”. Por isso, deixem-se de me’das e mantenham, faxavor. Não custa nada e fica-nos bem. En passent, deixem-se de bocas e reclamações.


30 de Dezembro

Passeio da Páscoa.

Lá conseguimos reunir as condições necessárias para fazer o passeio da Páscoa. No meu caso foi comprar o jipe, porque do lado deles não sei bem, acho que foi mais terem a certeza que voltavam todos.

Num radioso dia 30 de Dezembro, dos vários que aconteceram este ano, e depois de várias ameaças veladas sob a forma de telefonemas convidativos, lá se dispuseram a tirar os jipes do cercado. Só para terem a ideia, um tem o jipe novo novinho, e a Maria não o deixava sequer pensar em tirar a chave do chaveiro quanto mais sair com ele á rua. O outro idem, só conseguiu trazer uma trotinete a pedais. Passou metade do tempo a desenterrar aquilo da lama, desenterrar mesmo, não desatascar. A outra metade foi a ser puxado, empurrado, afastado. Imaginem, andamos nisto 3 horas de um sábado e só fizemos 200 metros, incluindo uma cache e uma visita ao elefante azul.

Áh! E o Jipe da floribela. O David achou por bem proteger o dele para ir á Maria Dias e trouxe o jipe lá das filmagens. Estragou aquilo logo no primeiro vau.

Mas começando pelo principio, 3 da tarde lá para cima perto de Janas, autódromo ou lá o que era. Cu de judas.

Tá o David todo contente a mostrar o jipe da moça, chego eu. Ficaram logo todos gulosos com o Libretto. Só perguntavam se eu queria trocar aquilo por um turbo, um guincho e 4 pneus Fedima. Tão mas é Fédidos da tola! Nem pensem.

Passado um bocado lá chega o outro, o do jipe novo. Tão coiso com aquilo, mas tão coiso, que passou o tempo todo a admirar a parte debaixo do carro. Só o vi quando disse olá, como estão, á chegada e adeus até pró ano, á despedido. De resto era vê-lo de cu pró ar a espreitar embevecido.

O último chega de besoiro, mas do lado contrário. Todos virados para o princípio do beco e ele sentado em pose, do outro lado á espera de fazer a entrada triunfal.

Reunida a cangalhada, despacham-me para o fim: Vais em ultimo que é para veres como é que se faz! Ok, seja lá como vocês quiserem.

Arrancam todos e o primeiro, o da floribela, começa a fazer inversão de marcha. Lembram-se do beco? Escorrega-lhe o pé e trás, enfia-se pelo talude abaixo em alta velocidade. Antes de conseguir parar, o da trotinete segue-o e o do jipe novo, que já devia de ir de olhos fechados, tufas… BONK! Pára. Sai a correr e ajoelha. Fiquei sem saber se era hora da oração, se já da penitencia por estar ali. Qualquer um tinha logo percebido que o bom do carrito tinha estraçalhado o passeio todo com os undersides. Mas ele não. Teve que ir ver. Ter a certeza. Claro que isto deu tempo a Virita para começar a rezar. Na altura não percebi bem, mas depois contou-me que era já a encomendar-me a alma caso o meu também batesse. Ná. Enquanto o outro estava rezando, “levantei o coiso”.

Não estejam já a encrespar-se todos, porque a cena de levantar o coiso é só engrenar as redutoras. Como a piquena em situações mais retorcidas via-me zingarelhar com as alavancas e pôr o jipe a ronronar baixinho e a sacudir-se todo contente, ficou com a ideia que tinha posto qualquer coisa para cima. Mulheres! Vá-se lá percebe-las.

Descemos o taludo, já perfeitamente ao calhas, curvas para cá e para lá, restolho arado e a vizinhança toda em alvoroço, começo a vê-los parar os carritos, sair para a borda da estrada e cruzar os braços. Que é que teria sido? Deixa cá ir ver!

Quando lá chego, esta o do carrito novo, quer dizer, que tinha visto melhores dias, a tentar fazer um gancho apertado á direita com um rego de alguns 2 metros no meio. A cena só se fazia com acerto a meio. Quer dizer, ou acertava a trajectória a meio, ou acertava no meio do rego, á escolha. Lá ajudo o moço, não é por nada mas ficar ali a ver o homem sair e espreitar outra vez o jipe já começava a exasperar-me e ainda só agora tínhamos começado, coisa de 10 metros.

Quando chegou a minha vez, em vez de dois, estavam três de braços cruzados. Safardanas. Para os contentar lá meti o penuzito na vala. A ideia era mesmo chafurdar-lhes uma golfada de lama nas ventas. Só me esqueci que a coisa só funciona mesmo com lama.

Seguimos. Mais á frente um riozito, manhoso. Passa um, o da floribela, bonk! Passa a borboleta, o da moto4, bonk! Passa o do jipe que já viu melhores dias, bonk!. Estava mesmo a ver que ainda ouvia o meu bonk, antes de passar, mas não, a Maria já se tinha baldado do carro para fora e estava toda contente a filmar os bonks. Perguntei-lhe depois, então não ficaste com medo do meu bonk? Não filho, já sabia que tinhas a coisa para cima…

Claro, que eu também bonk! Aqueles amiguinhos tinham afundado o trilho de ambos os lados de um calhau tamanho xl e eu arreie-lhe mesmo com o suporte da bola de reboque. Como habitual, estavam todos de braços cruzados a ver. Assim que chego ao pé deles e me preparava para me por também de braços cruzados a olhar para anteontem, enfiam-se todos nos carros meia volta e bute para o outro lado outra vez.

Oiçam lá, mas afinal para que foi isto? Passamos para quê? Foi só para passar o vau! (...no que eu estou metido...)

Claro que se bonk para cá, bonk para lá. Só tive que me desviar do outro que continuava de cu no ar e lá seguimos.

Mais a frente paramos todos. Já estava ver outra vez tudo de braços cruzados, quando a floribela arranca em a alta velocidade, parecia uma arvéola, e vai por ali fora até parar num grande splach de lama. Boa! Seguidamente sai o besoiro direito a ele. Queres ver que o vai empurrar? Passa em alta velocidade e afocinha mesmo á frente. Dois zero. Gandanoia!

Foi lindo ver a floribela a puxar o besoiro, o besoiro a puxar a floribela, os dois a puxar, umas vezes para o mesmo lado outras cada um para seu lado. Até que lá se safaram. O do besoiro descobriu que se sai-se de cima dele e o deixasse em paz conseguia muito melhor resultado. O da floribela, saiu á força de corda, gasolina e pneus. Só faltava o do jipe “novo”. Parecia o concurso de saltos olímpicos. Três empranchados á retaguarda e um mergulho triunfante mesmo no meio da parte mais funda. Com o carro assente em lama até meio das portas, ainda consegui sair e espreitar. Devia ser para ver se via alguma coisa. Não há nada como se manterem os hábitos para nos sentirmos apoiados em situações de aperto… Espreita filho, espreita.

Ok, está atascado, tem que se desatascar. Não percebi se era por uma questão ambiental: “Não se deixa nada abandonado na natureza”, ou se era mesmo gozo puro e duro. Devia ser isso, porque falavam em usar o besouro ou a floribela.

Imaginem quem foi. Comecei logo a perceber porque é que me tinham convidado. Precisavam de voltar para casa. Já os lixo. Dois esticões dos grandes e ficaram capazes de outra. Desconfio que o jipe do outro ficou uns bons 20cm mais comprido, só tenho pena de não lhe ter atado o cabo á barra de direcção que ele havia de ir para casa sem fazer curva nenhuma. Assim como assim melhor não ficou.

Saíram dali direito ao elefante azul. O homem ia tendo um fanico, quando vê entrar 3 fantasmas de castanho e um jipe todo laroca. Se fossem os 4 todos emporcalhados nem sequer tínhamos entrado. O desgraçado teve que limpar o terreiro todo á mangueirada porque havia ali mas lama a cair dos carros, e desconfio que bocados de mecânica também, que em toda a serra de Sintra. Ainda meteram moedas na maquina, mas qual quê, não havia meio. Porcos estavam, sujos ficaram.

Eu cá gastei 50cts a lavar as minhas botas e as da Maria, que isto de amor tem os seus truques, e 2 horas de braços cruzados, sim porque aprendi que o mais importante é a postura, á espera que eles se dignassem a largar do local.

Ah, o outro quando saiu dali ainda conseguiu bater com o jipe num sinal. Mas como foi de lado, nem espreitou.


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