2003

28/04/09

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Ano de 2003

Foi o meu primeiro ano Geocaching. As barracas eram mais que muitas e ainda não estava bem entroncado no jogo.

Por mais de uma vez considerei vender o GPS e deixar-me de invenções, a maior parte das vezes não dava com a caixita e a coisa começava a perder a piada. Mas o que terá levado a que me tivesse metido nesta aventura?

 


6 de Outubro

Ways of the Water

Boas pessoal.

Como sempre as minhas caçadas são feitas pela tardinha. As manhãs, ao fim de semana, não são nada colaboradoras...

Depois de almoçar, e já com aquele ar de falta de sesta, lá me dispus a abrir o dossier das caches por fazer e descobrir uma com ar jeitosinho para domingo á tarde. Andava a precisar de uma cura. Tinha “comido uma que me tinha deixado um sabor estranho na boca”.

A minha tropa este fim de semana estava reduzida ao essencial, eu para carregar com a tralha e a “maria” para me ir orientando... Não sei como é que ela consegue fazer isso tão bem. Normalmente só pergunta onde é e de quem é. Parece que é para vestir qualquer coisa apropriada. Mas nunca veste, para esta foi de sainha e chinelos e a primeira coisa que disse quando lá chegou é que “devia ter trazido umas calças”.

Chegamos ao local, com o GPS a apontar para o cimo do monte e a dizer alegremente: 300 mts. Apanhei um susto! Pensava que tinha trazido o GPS do Bordeira.

Monte acima, arvores, e o bom do GPS a andar a nora, muda a antena que a coisa melhora. Melhorou mesmo, deve ser por aqui, deve ser por ali, volta para traz, “tens a certeza que esta não é do MAntunes?", sobe ai, desce acolá, “deixa-me prender o cabelo que já fiquei agarrada nos galhos duas vezes”. Tão a ver a cena?

“Ouve lá, se isto é para ser nas Nascentes do Alviela e o barulho da agua vem lá do fundo porque é que estás a subir o monte?” Confesso que fiquei um pouco baralhado, mas aquilo apontava para o outro lado. Safei-me a dizer que só faltavam 5 metros... mentira... De súbito demos com um tipo de maquina fotográfica na mão. No meio das arvores, só silvas, arbustos por todo o lado. Devia ter perdido o modelo...

Lá aparece uma distancia de um só algarismo, caminho é que não. Rastejamos por baixo de um arbusto e ouço-a dizer atras de mim “Dá cá a porcaria do papel!” “Não, fazes mesmo sem papel...” , “Não é para isso, tu deves andar é perdido!”, “Eu? Perdido? Já reparaste que sou eu que tenho o GPS?”. Estava a ficar sem argumentos...

“Ok, chegamos!”, “O ponto Zero é onde?”, “É aqui...” Experimentem dizer isso com ar sério depois de andar meia hora á roda do mesmo arbusto. E quando estendo a mer$#%$#da do aprelhometro á “maria” reparo que ele indica alegremente 5 metros!!

O que vale é que ela faz um ar maternal, olha para mim, para as arvores e sentencia: “deve estar com má recepção!”. È por isso que eu gosto dela...

“Vamos então por a tralha aqui e procurar aqui á volta,”, “ok”

Da próxima vez que a vi, vinha alegremente com um taparuere na mão. Entretanto quando abre aquilo, diz com ar meio enojado: “não é este, este tá cheio de agua!”. “Porquê? Há com outros líquidos? Então vê lá se descobres um com uma cervejola”.

... cinco minutos depois...

Tiramos tudo para fora, limpamos a agua, fizemos o log, empacotamos tudo nas saquetas, enfiamos dentro de um saco preto e empanturramos o taparuere com a tralha toda. Desta vez gamamos a maquina fotográfica que lá estava, (que vai ficar mesmo bem na minha próxima cache...), e espetamos lá para dentro adivinhem com quê? Quem não disse “portachaves” tem direito a outra tentativa.

Não faço a mínima ideia onde é que a cache estava, onde ficou e se ficou no mesmo sitio. A “maria” é que a foi esconder outra vez, por isso não garanto nada.

Então vamos lá ver as redondezas...

Bem esta parte já não tem nada a ver com a caçada. Mas sempre vos digo que “fiquei outra vez bem comigo e com as caches.”

O lugar é espectacular, vão lá. 


20 de Outubro

A fraga da pena ou com pena da barraca...

Depois de muito sofrer ás mãos de alguns dos nossos mais afamados geocaxeres, resolvi que chegava. Vou-me embora, procurar outras bandas e mudar de ares.

Endrominei a “Maria” o que até nem foi difícil, vendi o resto dos bilhetes á & Company, e estabeleci que ou saiam de casa cedo ou a coisa se complicava.

Saímos ás 19 horas de uma sexta feira…

Direitos á Pampilhosa com olho no burro outro no cigano, quer dizer um olho na estrada outro no GPS que ainda é mais cigano que os ciganos. E o burro? Perguntam vocês… E como um mal nunca vem só, eu que tinha engendrado maneira de não me deixar levar em estradas secundárias dei comigo a tirar o carro dos buracos ás 11 da noite no meio da serra da Lousã. Bem… não era a Lousã, mas era a serra mais perto com esse nome e como estava perdido para o caso tanto faz.

Ao outro dia, de manhãzinha, meio dia e meia mais ou menos, fomos pôr as primeiras micros na áh1áh1… Nunca pensei que a chuva tivesse sentido de humor. Só chovia quando era preciso sair do carro. E andar a espalhar caches na serra em dia de inverno é obra. Agora é que eu percebo como é que o outro queria que lhe aceitassem umas micros atiradas pela janela do carro em plena auto-estrada.

Para recuperar o amor próprio, resolvemos ir á procura duma cache do Ricardo. Como as outras que ele tinha posto até nem eram muito mazinhas lá escolhemos a Fraga da Pena. Foi pena. Uma ideia para esquecer. A maria táva meio mais para lá do que para cá, enrolada numa toalha com ar de sofredora. Começamos a subir e como a coisa até nem era feia, lá fomos embalados na converseta.

Descer, subir, escorregar, práqui, práli e o GPS a começar a fazer negaças. Aquela barra mer$#$%$#dosa a dizer: Falha de recepção de satélite! Caraças! Muda a antena, pode ser que a coisa fique melhor. Ficou pior! Um circulo de erro que saia fora do ecrã! Juro que me passava pelos cotovelos. Bem… vamos vendo a paisagem. Até que chegamos a um beco. Um lagozito, com uma queda de agua ao fundo, tudo muito bonito, interessante. Recomeça a chover. Tinha parado á 30 segundos. Volta para traz, escolhe outro cominho. Vamos dar a uma pontesita á borda de uma terra de cultivo. Como era no meio dos montes a maniqueta faz um ar de contentamento, dá uma direcção, uma distancia e pof… acabaram as pilhas! Muda.

Afinal é do outro lado. As garotas começam um processo reivindicativo daqueles sintomáticos. “Tá a ficar tarde”, “tá a chover”, “tenho fome”, “tenho frio”… Viro-me para o ToBê e pensamos em coro: estamos $%$#$%$#! “Ok vocês agora ficam aqui debaixo deste telheiro que nos vamos ver onde é que é o sitio, escusam de andar a procura. Quando dermos com o local vimos cá buscar-vos”. “Tá bem”. Não estava! Não sei o que foi pior. De 30 em 30 segundos aos berros no meio do pinhal: “Onde estão?”, ”Já acharam?”, ”Falta muito?”,  “Que horas são?”. Demorámos algumas 2 horas nisto. E a chover!

Eu parecia que tinha engolido um garfo. Se me mexia, havia uma peça de roupa, geladamente encharcada que contactava directamente com o ultimo pedacito de pele menos gelada que eu pensava que já não tinha. O outro triste, parecia um cruzamento de lobisomem e uma santola.

O Ricardo deva andar a dormir mal desde essa altura, isso se não ficou com tendências suicidas. Diz ele nas dicas “blablabla do lado patatipatatá do caminho”. Caminho? Caminho? Por minha vontade as tendências suicidas dele já deviam ir na 3ª geração. Caminho naquele sitio? Não há aqui caminho desde o tempo de D. Afonso Henriques! Por essa altura começamos a fazer comentários coloridos sobre as tendências sexuais dos vizinhos dele.

Olhámos lá para baixo e vimos as garotas aos pulos no meio da terra de cultivo. Pela altura dos pulos achamos que era hora de voltar. Diz o TóBê, “êhpá e agora vamos por onde”? Perguntas parvas! Do sitio onde estávamos todos os caminhos serviam, não havia nenhum! O Ricardo devia estar, de livre vontade, a espremer os penduricalhos…

Chegamos ao pé das garotas já para o tardote. “Então?”, “Então o quê?”, “Então, encontraram?”, …po''a, já não me bastava o outro lá em Alcochete…  Tinham ouvido uns ruídos lá no telheiro e fugiram dali para fora para o meio das ervas. Para o meio da chuva. Mulheres

E voltar? Partimos todo a desfilada, acabei por ficar para trás mais a “maria” porque as avantesmas que iam á frente, iam mesmo em frente. Depois de passar por 3 pedregulhos dos grandes, achei que estávamos perdidos. “êhpá, tem a certeza que é por aqui?”, “temos, já estamos perdidos, por isso para qualquer lado é bom”... Não deixam de ter razão.

Liguei o GPS. Trilho anterior? Qual trilho? “óhmninos, onde é que vocês pensam que vão?” Bem… adiante…. Olha, vamos jantar a Freixo de Espada a Cinta, nessa altura já era mais Frêxa de Faca na Liga. Começamos a ver umas luzes ao longe. Ao principio não liguei muito, imaginei pirilampos. A Elvira disse-me depois que até já tinha dito boa noite ao Sininho.

De repente diz um: “olha a estrada.” Era pois. Lá em baixo, ao fundo da ribanceira, aí a 10 metros de altura de uma parede vertical que se estendia para os dois lados até onde a vista alcançava, não mais de 2metros para cada lado… mas válá… decidimos ir mesmo em direcção da aldeia, era o mais fácil.

Chegamos ao pé do carro passava da 8 da noite e já não chovia. Tinha passado a aguaceiros…

Pois é Ricardo, por minha vontade o piqueno fica filho único. Pede lá desculpa á Silvia, mas tás mesmo a pedi-las! 


27 de Outubro

As boas maneiras de mal fazer

(É possível que esta descrição inclua algum tipo de spoiling, mas faz parte da descrição, sorry), (mas é que inclui mesmo...)

Bem, quando vi a localização da “Loca do Gato” dei um salto. Não foi bem de felicidade e só foi depois de alguns impropérios, mas que foi um salto é verdade. E que já andava de olho no sitio...

Aquela zona tem, que eu saiba, 4 cavernas devidamente "classificadas". A das Salemas, reservada pelo nosso amigo MAntunes, a do Tufo, também já reservada, a de Ponte de Lousa e a Loca do Gato, que eu conhecia como a gruta do Penedo dos Mouros, local onde os locais, (hummmm...), diziam que se podiam abrigar 120 cabeças de gado! Só se for em camadas... De maneira que quando o CCortez, pespega com uma cache logo ali, entre uma desculpa para lá ir e a antecipação, venha o diabo e escolha.

Rasparta nunca mais ganho juízo... Bem vamos lá a ver o que é que aqui está.

Primeiro passamos cá em baixo na estrada e o bom do GPS armou um sorriso de botão a botão e apontou para o sitio que eu já conhecia! Esperteza! 150metros dizia ele. Parvo! Se a coisa estava a 272 de altura como é que eram só 150 metros? Idiotices de GPS. Devia estar com os satélites trocados.

Segundo sabia, havia um caminho para lá, mas a & Company já se tinha aboletado no meu carro, de maneira que TT estava fora de questão. Parque de estacionamento mesmo á beira e aqui vai disto, direito ao primeiro patamar, que por acaso era um campo de futebol. Só um aparte, com a chuva que ameaçava qualquer tentativa de ir ver os afloramentos rochosos levaria, pelo menos, 2 divórcios, pelo que os resolvemos deixar em paz. Se lá estavam, lá ficaram. Aforamentos? Tens cada uma... Passado o campo de futebol, seguimos pelo caminho fora, ate á perpendicular do ponto zero. Não foi estratégia nenhuma, foi preguiça de começar a subir mesmo...

Até que S. Eulália ficou á vista. Alguém achou que era altura de começar a subir. A primeira conferencia do divórcio é já amanhã.

Engrenamos a tracção ás quatro patas, a Virita teve mesmo que aplicar as redutoras e de tal maneira que na segunda só saiu da manicura três horas depois. Naquela subidita demoramos quase uma hora. Diz o outro marmelo que, ir e vir, dá para hora e meia. Deve ser deve...

Quando chegamos lá cima, o aparelhometro dizia qualquer coisa como 20 metros. Boa. Estávamos a 2 passos da parede. O leitor oficial, eu, bota os olhos no papel e diz do alto da sua sabedoria, “não é lá dentro, o papuço diz que é nas nas redondezas da gruta”.

Resta acrescentar que alem de leitor oficial, sou condutor oficial, GPS reader oficial, carregador de mochila oficial, animador oficial, etcetcetc. Alias já me perguntei a mim próprio, para que é que eu quero o resto da malta. Deve ser para não me sentir só... (sou oficial para tudo, menos nas divisas, aí sou mesmo praça...)

Damos a volta ao penhasco e amarinhamos lá para cima. “Boa vista, sim senhor!” Diz logo o outro armado em cão com pulgas, “...e encharcado? Vistaça...”. Onde é que é o ponto zero? Aqui! Tens a certeza? Tenho, olha 11 satélites! Ena, engarrafamento! Ok, vamos a procurar.

5 manguelas, durante 3 horas num espacinho de 30 por 60 metros. Deu para bater o terreno em ondas, por quadrículas, por círculos, por motivos de interesse, por rochas, por arbustos, de toda a maneira e feitio. Só não batemos no Cláudio porque não demos com ele, porque senão também apanhava... Volta e meia andava um de GPS na mão ás voltas á procura do ponto zero. Invariavelmente vinha parar ao mesmo sitio com ar de aselha.

Às tantas diz um: “....êhpá, altitude? E se for...” desata tudo a correr para a parte de baixo do penhasco e entram de roldão na gruta, uns pela porta principal outros pela de serviço. Cavaram tudo, viraram as pedras todas, entraram em todas as cavidades, até os tintins do morcegos eles apalparam! Nada! Voltam para cima. Chegaram lá e como não podia deixar de ser, toca a mirar o GPS outra vez.

Pergunta a Nela: “Já mudaste a antena?” Estive vai não vai para lhe perguntar cá umas coisas, mas achei que a pobre moça só estava a querer ajudar, pormenores pessoais mais íntimos não era práli chamados. “Já mudei, já!”. “E se fosses ver as dicas?”, “bora...” 272 metros de altura, qual é a altura a que estamos? 264 metros, bem... onde é que há um sitio com 272 metros de altura? Demos com o local.... a 30 metros do ponto zero. E tinha que segurar o GPS á altura do peito.

“Ái é aqui!?!?!?!?....” peráí que eu já te fo$$$#$#$do! Dou de caras com o Marinho pendurado num pau a tentar rolar o “padragulho” para o lado! “tu tá quieto pá... olha que ainda te magoas”, “trápáscatrapum!” Ficou com dois paus...

Nesta altura está o Tóbê agoirar. “Êhpá vamos embora, não encontramos e já tou farto.” Por falar nisso, também já estou a ficar farto. “Vamos fazer uma ultima tentativa e depois ála, ok?, támapetecer uma imperial”. Não há melhor que falar-lhes ao coração... “Cada um escolhe um rochedo e não desiste enquanto não vir todos os buraquinhos.” Qual buraquinho qual buraquinha... Demos mais uma volta, desde a estrada nova de acesso ao parque eólico até a borda do penhasco, desde a passagem para o cimo do penhasco até ao rochedo mais alto que lá havia, népia, néribéri, niente, nathin, nada, nipe, etcetcetc...

Andamos nisto desde a uma hora, até ás cinco, o que para quem queria despachar a cache antes de almoço, até nem tá mal!

Caraças pá, dizes tu que é uma cache de dificuldade 2! Vai-te lixar, quando for de tipo 3 ou 4 quero ver! A classificação vai até 5, supõe-se que é para utilizar toda e não ficar só pelos 2 primeiros índices. Pelo teu ponto de vista, índice 1 é para encontrar, 2 é para esquecer... Cá para mim se não for 5,25 é pelo menos 4,75.

Reclassifica lá isso, sim?


29 de Outubro

Nem tanto ao mar...

Quem vos ouvir parece que isto é só barracas. Para vosso mal, não é. A coisa ainda vai fortemente positiva.

Já agora também vos digo como é que se faz. Primeiro põem de parte as micros, a coisa já é suficientemente arrevesada sem estar a complicar desnecessariamente. Idem para as multis. Seguidamente escolhem o tipo mais normaleco que por cá haja.

Esse mesmo, o que leva o manual do GPS debaixo do outro braço. É garantido que não se põe a inventar com as coordenadas, põe a cache em lugar lógico, não arma ao pingarelho e, mais importante, descreve a coisa benzinho e dá uma mãozinha nas dicas. Com estes cuidados já devem ter alinhavado uma mão cheia e já lhes começam a conhecer as manhas.

Por esta altura os nomes já começam a ligar-se com as avantesmices. Pelo autor e pela descrição já dá para sentir de que lado sopra o vento. Como já devem ter-se apercebido, ninguém vos põe a salvo de uma ou outra canelada, mas levem a coisa na desportiva.

Há aqui uma questão meio complicada pelo meio. Chama-se companhia. Umas vezes dá pelo nome de “maria”, outra “putos” ou ainda “melgas”, há também quem lhes chame “empatas”. Podem não ajudar muito, mas contribuem decididamente para o ruído ambiente.

Se conseguirem juntar tudo, então estão garantidos. Toda a gente num raio de 20 km saberá que andam por perto, só mesmo uma cache marada de todo é que vai resistir.

Haverá mesmo algumas que desistem só de vos ouvir chegar. Há que substitua o pacote pelo o cachorro, mas ou tem vários para ir substituindo ou então é sol de pouca dura... Tem é uma vantagem, com o cachorro mandam vocês, sem o cachorro..., bem..., quem manda não sei, mas quem não manda sei eu muito bem. Isto também depende da marca do cachorro, porque com alguns nem assim...

Depois de resolverem todas esta variáveis podem começar a estender-se. Mais propriamente ao comprido e a fazer figuras tristes. Tem o mundo do Geocaching a vossa frente! E o resto da malta a rir-se de vocês.

Isto tudo para vos dizer que um dia destes, já nem me lembro bem quando, estava a voltar para casa de um fim de semana bem passado e resolvi estragar tudo. Montei o GPS no carro e saquei do Dossier. Barraca... Tomei como garantido que dávamos com o lugar e convenci a malta a ir á procura da Bear treasure, Urso!

Devia era ter ido á procura era da Beer treasure. Vira daqui, vira dali, agora por baixo, depois por cima . A meio do caminho, já a alminha que ia ao meu lado tinha desistido de dar palpites, quando aparece uma complicação. A um cantinho do ecrã do GPS aparecem umas malfadadas letrinhas Cêgênãsêquê. Esvoaçam micas, folhas, pedaços de papel e aparece uma vozinha que do meio da confusão diz: “é a cache do convento ofeda stroques”. Numas vesperas de segunda, perdido no meio do Montejunto, já surdo do ouvido direito e com o sol nas ventas? O phothaquê?

Razão tem o outro que manda o cão primeiro! È para ali? Vamos! É assim que querem? Vamos! Com mais molho? Vamos! A partir daí até o GPS desistiu. O caminho que indicava era em caracol! Juro. Às voltinhas. De voltinha em voltinha até á voltinha final. Salvo seja. Demos com o parque de estacionamento.

Olhamos para o edifício. Olhamos uns para os outros. Olhamos para o edifício outra vez. Bonito. Não o edifício, mas o sarilho em nos metemos. Já lá foram? Confesso que peguei no papelucho e traduzi as dicas á pressa, não estava muito disposto a ser noticia de tele-jornal. Enquanto lutava afanosamente com as letras, o pessoal desapareceu. Pela primeira vez na vida vi-os andar na esgalha.

Um deles, depois de ter levado com as bocas do papagaio nos Olhos de Agua, saltou para a linha do comboio e desatou á pedrada aos pardais não fossem da família. Haviam de ver! Aparece uma das “Marias” com um saquelho amarelado nas mãos a refilar “deixam lixo em todo o lado, porcos”... Só não levou um tabefe porque não calhou, afinal aquela era razão porque todos lá tínhamos ido. Ainda não tinha desatado a porcaria do nó já estavam todos aos gritos. “ põe lá isso”, “já descobriste?”, “ainda temos que ir á procura da outra”, “diz aqui que temos que andar 300 metros...”, “agora andas aos caixotes?” Já pensei em vender o GPS. Só não vendo o pessoal porque não cabem nos ecopontos...

Depois da cena dos porta chaves, volta tudo para dentro do carro, não sem antes se perderem. Sinceramente! 20 metros de caminho! Caraças! Fomos andando para o pinhal de Leiria. Bonito caminho, calmo e descansado. Como a labuta da procura foi muita, ressonavam em contraponto, cada um para seu lado. Acordei-os o pior que pude, armei dois piões em cima da areia. Ainda hoje andam a verificar se as pernas e os braços são do mesmo modelo. Eu cá acho que não, mas já antes era assim. Acordadinhos de fresco, sete da noite, longe do ponto zero, pressa nem vê-la. Só tiveram pressa para me azucrinar o juízo em Seiça. Sheiça!

Ainda por cima deu-lhes o cheiro da praia. Não havia pinheiro rançoso nenhum que lhes desse a volta para o lado certo, sempre para o lado contrario, sempre prá praia. Não há uma cache onde alguém deixe um chicote? Chegamos lá e sentam-se. Juro. Tirei fotos e tudo. Arrefinfam o coiso num sitio qualquer e dizem-me: “já encontramos a outra, esta procuras tu!”. Não posso contar com ajuda, tá visto.

Quem me valeu foi o TóBê, com ar de “quando não podes vencer junta-te a elas” amersenda-se num galho podre e bate com o costado no chão. Quando regressa á costumeira posição anormal, vai á procura de um sitio melhor e regressa todo contente com um banco com uma asa. Há males que vem por bem, toma que é para aprenderes. Abrimos o taparuere... fechamos o taparuere. Fiquei com pena. Deixa-lo vazio para os próximos era um bocado forte, mas sempre era preferível a enche-lo com areia como foi sugerido.

Convém que os próximos deixem muitas coisas porque acho que até o lápis dos logs levou sumiço. Sanguessugas! Nem porta-chaves! Ainda uns estavam a empurrar a caixa a pontapé para o meio das silvas, já as outras alminhas iam a correr para o mar. Em vez de irem pelo mesmo caminho, resolveram ir pela praia. 9 horas, frio, perdidos, humidade, nevoeiro, perdidos, sapatos cheios de areia, sede, perdidos, fome, cansados, perdidos.

O que vale é que já estamos habituados, não há cache nenhuma onde não nos perca-mos! Mais perdidela, menos perdidela..., báhhh, que é isso? Ainda dizem que isto é um jogo de orientação.

Mas não lhes fica de emenda. Demoram uma semanita a meter-se noutra. Apostam?


7 de Novembro

Arraiolos

... ou a historia de um tapete!

Não sei como, mas a “maria” aceitou fazer um ror de Km para ir ás caches do Manel. Cheirou-lhe a almoço fora, de certeza.

Tralha no carro e vamos de convocar o resto da maralha. Népia! Quando conseguiram despegar os olhos lá no choco e lhes cheirou a chuva: “... ná, hoje não me apetece, fica prá manhã...”. Isto a um domingo, tão a ver né?

Não me ralei nada, mesmo nada, aqui para nós, as melhores caches são as que eu e a “maria” afiambramos sozinhos. (por falar em afiambrar... não foi nada que eu não me tivesse já lembrado! Um dia destes...).

“Então, qual é esta?”, “Sei lá, nunca lá fui!”, e rapidamente mostrei-lhe os papeis, não fosse ela perceber o que eu tinha dito. Com mulheres nunca se sabe, o melhor é jogar pelo seguro. “E esta. Tá lá?”, ............................................., “Ok e almoçamos por lá perto, tábem?”

A meio do caminho, já perto de Montemor, telefonam os outros: “êhpá, afinal também vamos”. Deve ser, deve, para onde vão não sei, mas para Arraiolos não é de certeza. Ainda lhes sugeri que viessem ter connosco ao restaurante. Tá bem abelha! “Volta para trás para nos vires buscar!”

Chegados a Arraiolos, fomos á procura de restaurante. Demos com um com uma vista bonita sobre a Cidade. Italiano. Comida alentejana feita por um italiano. Tortellini de cação, pizza de migas, esparguete com amêijoas á alentejana. Mas, vendo bem até nem foi mau, só gastamos muito UltraLevure durante a semana.

Depois do almoço cache com eles. Uma multi á manel. Pode ser que não seja nada, mas íamos preparados para o pior. Tinha levado duas calculadoras, o palm e o portatil,  dois blocos, uns lápis, canetas e dinheiro, não fosse necessário comprar mais. Não foi preciso! Depois de levar na cabeça, de o chatearmos contenciosamente, de devidamente industriado, o homem até se portou benzinho. Tenho cá a impressão que se mantivermos a pressão, a próxima que ele fizer vai ser entregue porta a porta.

Mas continua a saga dos pontos zero. Se não tiverem cuidado molham-se todos para encontrar a primeira dica. A segunda está num sitio que arrepia, eu não ia lá á noite. Manda contar degraus num sitio mais liso que a minha carteira a partir do dia 10. A ultima diz que a cache tá a não sei quantos metros do ponto, (Olha que caraças! Então porque é que não a pôs lá?). E por fim o taparuere foi atacado pelos caracóis. Caracoletas, mas precisamente. E das Turbo. Eu dei com o saquelho quando o vi passar a meu lado. Até pensei que era o vento. Qualquê. Parecia um ralie. Juro que vi a da frente a fazer slide...

Abrimos a coisa e salta lá de dentro um tapete. Um tapete! Leram bem! O nosso amigo a falar em tapetes de Arraiolos, patátipatátá e pespega lá dentro com um! Eu até estava á espera que fosse uma pega dos tachos, assim como assim mais pega menos pega até já me ia habituando. Mas não, era mesmo um tapete. Só dá para a casa da Barbie, mas não faz mal o que conta é a intenção. Também, se fosse maior as caracoletas não podiam movimentar a cache tão depressa.

Abifalhei o RAM card, afinal até nem gosto de Barbies, (das pequenas!), e tinha sido para isso que eu lá tinha ido. Bem, a “maria” pensa que foi pelo prazer de ser o primeiro a fazer uma cache, mas não...

Lá do alto ainda assistimos ao resto do desafio entre o BotaFogo e o DeixArder, enquanto escolhia contenciosamente, como é meu apanágio, os porta chaves com que iria premiar a cache. Deixei a “maria” fazer o log, porque decidi deixar de escrever parvoeiras, de ora em diante vou-me começar-me a dedicar-me á escrita-me séria-me. Comei a tomar notas para escrever um livro: O GEOCACHING NO CONTROLE DE PERSONALIDADES AGRESSIVAS - Contribuições para o estudo de um problema insolúvel.

Chegamos bem e o tapete dá um geitasso na cozinha.


8 de Novembro

Fui eu que tive a ideia, logo...

A ideia é todos podermos aprender com os erros dos outros.

Bem, com os erros não, mais com as experiências! Que nisto há amor próprio e por isso convém manter a coisa controlada.

Então as minhas barracas são:

1ª - A SpaceAce #3, fui lá armado em herói e quando cheguei fiquei a olhar. O RicardoB tinha-me dado as coordenadas e eu acelerei direito a cache. Despistei-me. Ficava a 100 mts do hotel onde eu estava... se lá estivesse. Tinha sido arquivada! Aprendi que não se vai para as caches sem as papeletas. Ainda hoje ando a retirar os borbotos das calças.

2ª Boca do Inferno. Nem de propósito! A seguir aprendi que não bastam as papeletas!  O nosso amigo Mantunes tinha andado com a cache ás costas e mudou-lhe o sitio. Ainda por cima com uma desculpa qualquer meio manhosa, “... a humidade...”, “...é perigoso...”, “...portão fechado...”, “...bilhete pré-comprado...”, “... engordou...”! E eu agarrado á papeleta desactualizada. Toda a gente a ver, até se organizavam excursões. Duas velhotas perguntaram-nos qual era o nosso hospital. De tal maneira que a minha sobrinha ficou traumatizada. Duas horas de rabo pró-ar na Boca do Inferno á procura da cache que está a milhas. Coitada da pequena. Depois disso já ajudou a encontrar umas duas ou três, mas ainda olha para mim de uma maneira demasiado confrangedor.

3ª Centro Geodésico de Portugal. Outra do nosso amigo... Mas esta, vá lá... tava a chover de tal maneira que nem sequer lá fui. Fiquei a olhar do carro. Mais de 500km para fazer uma cache e nesse preciso momento cai uma carga de agua que nem vos digo nada. A “maria” prometeu-me este mundo e outro se não perdêssemos mais tempo! Pagou tudo... Mas sempre lá quero ir ver se a cache ardeu ou se sou eu que tenho que lhe pegar fogo. (A ele!).

4ª The gift which turned out into a cache. Adivinhem lá de quem é esta? E depois ainda me dizem que isto é uma actividade saudável... Terapêutica vá que não vá... E depois, caí na asneira de levar uma cunhada e a mãe. Imaginem o melão. Diz-me o senhor depois: ”... afinal o GPS...”, “... parede muito alta...”, “... obras...”. Em obras meto-o eu se isto continua assim. 3 de seguida! Mas eu prometo-lhe que vou lá segunda vez e se não as encontrar deito-lhas fora, juro. Vai andar de gatas de ecoponto em ecoponto a catar os restos.

5ª Fraga da Pena. Se ninguém a tinha encontrado, porque é que eu a havia de encontrar? Alguém me diz? Ainda por cima é lá no “Cu de judas”. Juntem uma chuvada e imaginem lá o meu cunhado, tão pinto tão pinto, que nem limpava os óculos. Aproveitava as vergastadas dos ramos dos pinheiros para as agulhas servirem de limpa-vidros. As moças ficaram para trás e a certa altura deixei de procurar o taparuere para procurar o homem! Ia-o perdendo.

6ª A loca do gato. A mais procurada, falada, discutida, problemática e conhecida cache do planeta. Por esta já se desfizeram casamentos, movimento de cidadãos, houve manifestações, reportagens na TIME o governo chegou mesmo a reunir de emergência e a suspender publicidade. Consta até que a venda de espadas de duelo disparou e aumentou a inscrição em cursos de artes marciais. O dono anda em parte incerta e deixou o pessoal á nora. Não é caso para tanto! Só perdi QUASE 15 HORAS á procura de um taparuere de tampa amarela! Acham que o Bimde Lade tem lá alguns Stinger que me ceda?

E com isto encerro aqui a minha participação nas barracas. O próximo a candidatar-se fica desde já avisado que os preços de funerais estão a subir, os testamentos tiveram as tabelas actualizadas há pouco tempo e as escrituras de habilitação de herdeiros estão esgotadas ate 2006. Aconselho todos a reverem as coordenadas, irem desbastar o mato á volta, regarem conscientemente a zona com Agente Laranja e mudarem as bandeirinhas por material reflector. Sacripantas!

Acabou aqui. Mesmo. Acabou mesmo.


11 de Novembro

À SEGUNDA É DE VEZ

Não á segunda feira, obviamente...

À segunda ida, sim porque cá o rapazinho, nem sempre descobre a coisa á primeira.

Umas vezes porque vai na desportiva, passou por ali, o aparelhometro até estava ligado e lá apareceram as malfadadas letrinhas! Outras porque "é mesmo em dia de azar e não é bem por ali, o melhor que faço é mesmo ir para casa".

Por vezes até nem é importante, já despachei uma hoje, se der para fazer, muito bem , se não der, não se preocupem, não espera pela demora.

Tudo isto para dizer que já tinha andado a rondar o ALTO DA MEMÒRIA a semana passada. Demos a volta pela serra e lá estava ele todo contente apontar para a encosta e a dizer 150 metros. Não é que me engane, tou farto desta dos 150 metros, mas ás vezes até vale a pena ir espreitar.

Desta vez valeu, não pelo Geocaching, mas mais pelo local. Indo pela estrada e parando o carro ao pé da mina onde está um dos memoriais ao acidente pode-se subir pelo caminho e chegar ao local onde morreram os soldados do RAAF, que para quem quiser saber quer dizer, Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa. Só um aparte, esse foi o regimento onde o meu pai serviu nos seus tempos de tropa ainda durante a IIWW, tendo prestado serviço nos Açores.

Voltando ao local. Foram semeados ciprestes, um por cada soldado morto. Agora não serve de nada, nem o gesto, nem a presença. Mas vão lá na mesma.

No entanto se quiserem encontrar a cache não é esse o caminho. Depois do lugar do memorial, não se pode passar. Só mesmo de buldozer!

Dêem a volta e descubram a estrada certa. Alias, as estradas, há duas, de terra batida e maltratadas, mas, no fim de semana passado, perfeitamente papáveis por um carro baixo com 4 marmelos lá dentro. E parem o carro mesmo nas barbas da cache, 10 metritos ali mesmo á mão de semear. A vista é muito bonita, sobre a costa desde o Guincho até ao outro lado, Barreiro e mais longe. No lugar há mais uma placa junto a uma cruz que faz parte do memorial.

È um lugar espectacular para um piquenique, para namorar, para passar um bocado ou simplesmente estar sentado e deixar o vento arejar a caixa do pirolitos.

E depois tem a vantagem de perto, 500 metros mais Km menos Km, ter outra: O lugar dos Mortos. Mas essa... fica para a próxima... (escusam de estar com arzinho maroto a pensar: “mais outra barraca”, foi mesmo, mas não espera pela demora!).

E tenham calma, as caches não se gastam...


15 de Dezembro

.. mania...

Então não é que houve um sujeito que foi por defeitos numa cache minha? “Não sei quê para lá”, “não sei quê para cá”, “afinal blabla”, “GPS no meio da estrada”...

Não há pachorra! Obrigou-me a ir de propósito lá para onde o Diabo perdeu as calças só para verificar tudo outra vez. Raio de mau feitio. Se queria criticar, sempre podia criticar uma mais perto.

Mas também só verifiquei aquilo mesmo no finalzinho, ao fim do dia. Toma que é para aprenderes. E agora sempre quero ver se voltas a dizer o mesmo.

Tá aqui a foto com as coordenadas. Ponto final, não há mais reclamações. Ia eu a dizer que, só mesmo na volta.

Aproveitei para, antes, ir verificar as caches mais distantes. Assim tipo visita de inspecção. Passaram com distinção. Fora aquela da N.S. da Peneda. Duas horas e meia a subir! 3 horas de caminho até lá chegar e duas horas e meia a subir!

No inverno, levantar depois do nevoeiro, que só se levanta já tarde, estrada que nunca mais acaba, é já ali, “tajaver”, e duas horas e meia a amarinhar por uma parede acima. Duas horas e meia. Haja Deus! Bem... adiante. Lá ficou. Se lá estava lá ficou, se não estava, olha... foi melhor assim.

Claro que fica-mos cá com uma raivinha que nem vos digo nada. Quem pagou foi o jantar, cataplana com vinho verde. Invejosos? É muita bem feita. É para saberem que não vale a pena andar a por defeitos nas minhas caches.

No outro dia, vamos lá a ver o que vamos fazer, qual é a desgraçada cache que paga as favas. Depois de muita discussão, algumas agressões, nem sempre verbais, fomos comprar bastões novos. No calor da decisão houve algum extravasar de sentimentos.

Apontamos as baterias a uma mais acessível. Pensávamos nós. A malta lá de cima classifica as caches pelas horas de subida. O outro diz que é terreno 4; mais de duas horas para chegar a meio da subida. Este, diz que é 1,5. Tufas! Hora e meia a amarinhar pela serra acima. Bem, ao menos já sabemos com o que contar.

Paramos o carro num sitio jeitoso e toca apegar na tralha. Chove não chove, é melhor levar os chapéus. Levamos. Choveu! E foi cá uma molha. O taparuere tava mesmo á mão de semear. Ali mesmo a rir-se para nós. Porque se não estivesse, o dono bem podia emigrar. Abifalharam o que lá havia de jeito e repuseram o nível com porta-chaves. Não nível das prendas, mas o nível da cache. Ficou benzinha. E com isto adivinhem lá que horas eram...

Horas de almoço, adivinharam bem!

É melhor ficar por aqui, se eu vos contar as peripécias do almoço, vão de certeza duvidar da minha sanidade mental.

Até mais! 


16 de Dezembro

BuscaBusca

Já tou pior que o Manel, assim que há uma reclamaçãozita saímos logo disparados de mãos na cabeça a gritar “ái jesus!”.

Eu cá é mais por inexperiência, ele não sei bem por que é...

Bem, mas foi assim:

No sábado, tavam as “marias” a bulir e os homens de papo pró ar alembro-me eu: Tenho que ir fazer a manutenção á “há horas felizes”. Pego no telefone e ligo pró Tobê, “pá queres ir?”, “Não posso, tenho que ir trabalhar!”. Rásparta a manela. (opsss!!!!!!!!! A outra, que a dele tb é manela e ainda me suicida).

Não quero saber, descobri um sitio á maneira, parei o carro ao solinho e fiquei a pensar. Solinho de Inverno de tarde pela frente! Fartei-me de pensar... Já não me lembro o que tinha sido o almoço, mas pelo menos foi da mesma ordem de grandeza do cozido do outro dia. Mas não me importa, soube-me bem na mesma, a vida não é só tristezas.

No entanto o mal já tava feito, por isso o jantar foi levezinho, massada de peixe e a seguir castanhas assadas. Áh...como aquilo demora a fazer fomos tomando umas caipirinhas para empatar. Moral da História, a manutenção da cache ficou para a parte da tarde de domingo. Percebem agora porque é que as caches de manhã são indigestas?

Saímos perto do meio dia e Magoito com eles. Cafézinhos para cá e para lá e fomos descendo. Cafézinhos da manhã, lá por ser já de tarde temos que manter a ordem na coisa. Confesso que me soube especialmente bem o passeio. Até acho que vou fazer um “Found it” á minha própria cache. Assim como assim até nem é inédito...

Quando lá chegamos, ficamos todos a olhar a ver se víamos o taparuere. Claro que ninguém viu. Até me fez lembrar o “Not Found” do Pulo do Lobo. Mais perto é melhor. Foi preciso ir lá ao pé e esgatanhar. A certa altura, pergunta o engraçadinho: “êhpá, tens a certeza que não é no outro?”. Eu é que estava empoleirado, senão ele tinha levado com uma laranja nas ventas. Lá desencantou aquilo.

Depois de aberto foi feito mais um loguesito, estava tudo em condições, nem pinga de agua, nem silvas, nem caracóis, nem prendas de jeito, nem nenhum cachorro abandonado. Impék. Tudo lá para dentro, sacos fechados, taparueres herméticos, mais sacos e tudo para dentro do tal envelope marado. Depois de reposto, ficamos a pensar: “é melhor por mais uns pontinhos na dificuldade e no terreno, nem mesmo depois de lhe porem a mão em cima vão dar com ele...”

Voltamos para casa, que a digestão das castanhas tinha deixado o pessoal um pouco a precisar de repor a energias...

Daqui para a frente, só mesmo partir da tricentésima octogésima sétima reclamação é que me digno pensar em tal. Pensar... Tenho dito.

PS: O almoço foi peixinho assado e eram sete e meia.


18 de Dezembro

...era suposto divertirmo-nos com o geocaching?

Olhem lá... Que as prendas sejam de tal forma maradas que já se instituiu a pratica do TNLN, vá que não vá! Que o aumento de preços do taparueres, da gasolina, dos GPS, das solas e da comida pró cão não deixe grande saldo para prendas de jeito, vá que não vá! Que a vontade de inventar caches novas, originais, sem igual e de realce leve a que volta e meia surjam umas tipo “quédzerné”, vá que não vá! Que a malta ponha os taparueres e só registe as caches no site meses depois, vá que não vá! Que se registem as caches todas bonitonas, completas com tudo e mais alguma coisa e que os taparueres só sejam postos no local, séculos depois, vá que não vá!

Agora, ir ao lugar e por só o taparuere? Espintalga-lo só de referencias e identificações? E enche-lo só de ar da montanha? Nem um papelucho? Nem um lápisito mesmo de ponta romba, só para o pessoal fazer os logs? Vossas mercês vão-me desculpar, mas acho mal!

Obrigam-me a sair de casa, num dia de Inverno, armado com a tralha toda. Pilhas novas! 6! SEIS pilhas novas no GPS! Maquina fotográfica artilhada! Pessoal todo empinocado a “láGeocacher”. Até areei os porta-chaves! Dos novos! Da Tailândia!

O que vale é que o local até nem era mau, vista porreira, do Guincho, lá de cima sobre as praias e a estrada. Pôr do sol á maneira. O local é que estava “demasiado” concorrido, éramos 5, senão tinha aproveitado para pôr o namoro em dia. Mas nem isso.

Sempre podiam ter avisado que tinha levado um saquito para ter recolhido um bocadinho do ar que estava lá dentro... Como não avisaram, abri aquilo assim de repentemente e entornei tudo. Espalhou-se tudo. Misturou-se logo com o ar do Guincho. Grande salganhada, já não deu para recolher nada. Até tinha ar de ser bom, mas perdeu-se tudo, não sobrou nada nem uma pontinha. Quando for assim façam favor de avisar primeiro. Agora imaginem lá. O pessoal todo a mandar vir comigo. Que não tinha avisado, que não tinha cuidado nenhum com nada. Que é que ia dizer agora ao dono da cache? Etcetcetc.

Já nos tínhamos pegado antes. Quando andamos a procura da cache, ainda íamos na estrada já o GPS tinha apontado para o cimo do monte e dito alegremente, (como de costume): 30 metros!!! Como do lado da estrada é a subir e bem, fiquei com pouca vontade de ir por ali. Mas como fico seduzido quando o aparelhometro me promete menos de 300, comecei logo a procura de lugar para estacionar. Nisto ouço uma vozinha vinda lá de não sei onde: “Dá volta, pode ser que do outro lado seja a descer...” Valha-me Deus! A cache mesmo no alto do monte e... “pode ser que seja a descer”... Ainda hei-de arranjar uma cache mesmo grande... Quando chegamos ao “... outro lado...” que como já devem ter imaginado não era mesmo nada a descer, a conversa já ia em passo de corrida.

E no fim, uma cache destas. Só espero que 2004 seja melhor! Gaita...


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