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13/07/09

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Há horas de sorte (3rd Edition)

A kind of Grafitti atitude...

Já nem sei muito bem de onde saiu esta ideia de cache, mas a coisa teve laivos de surrealismo.

A ideia era simples. Em vez de andar a espalhar micros em locais meio disparatados, o melhor seria encontrar possibilidade de colocar qualquer coisa que pudesse ser vista por quem de direito e ignorada pelo resto. A questão era: o quê?

O nosso companheiro Linx e a sua micro da Praça do Comercio deu a ideia. Obrigado Ricardo.

E que tal pintar a "coisa"? Não era bem "pintar a macaca" mas sim pintar mesmo. Latas de tinta e pincéis. Ou Sprays, o que vem a dar no mesmo mas é mais higiénico.

Faltava só o tema. Contentor para a final arranjava-se na caixinha da bricolage e os trabalhos manuais vieram na sequencia das ideias que foram sendo cozinhadas. Abreviando: Esconder tudo!

Primeiro arranjar um tema que não desse ideias directas do que se tratava. Depois esconder as instruções. Acabou tudo por ficar mais difícil, mas mesmo assim fácil. Explicando, o texto escondido era importante mas não essencial e havia fáceis possibilidades de dar com a coisa. No final quase que facilitei demais. Mas essa parte ainda não é para explicar. adiante perceberão porquê.

A parte "física" da coisa eram cerca de 13 Grafittis espalhados pela baixa de Lisboa. O primeira era no "Ground Zero" e era nem mais nem menos que a parte principal das instruções expostas. Vejam.

Primeiro Ponto

Vejam a minha figura a pintar o canto do passeio do Terreiro do Paço num sábado de manhã!

Nesse local estava o formato das coordenadas finais em 4 cores diferentes. Cada cor representativa de seu elemento, afinal a única ligação que havia com a lengalenga dos 4 elementos. O aspecto final era este:

Ground Zero

Já muito depois reparei que tinha escolhido representar parte do código com as letras "WWW." o que, e não podia deixar de ser, ajudou...

Seria evidente, para mim, que aquelas 4 cores levariam a procurar exemplos, em Lisboa, de coisas ligadas aos 4 elementos. Seria. Desde quadrangulações a régua e esquadro, a pessoal a tomar nota dos números de telefone dispersos pelos vários anúncios colados nos postes da praça, houve de tudo um pouco. O facto de eu dizer na Hint que era capaz de ajudar se me ligassem devia ter contribuído para a confusão. Nunca pensei que a costela inventiva do pessoal andasse tão assanhada.

Eu que até me preocupei a escolher 3, sim 3, pontos de cada um dos exemplos e todos, (bem, quase todos, pelo menos a grande maioria), num raio de 10 minutos a pé do ponto central, fui confrontado com as soluções mais mirabolantes na tentativa de solucionar o puzzle. O que estes tipos inventam...

Os pontos eram:

Ar: o aeroporto em frente da entrada das partidas, em Belém junto á replica do Avião do Gago Coutinho e no Adamastor no jardim de Santa Catarina.

Ar

Terra: Em frente da entrada principal do Convento do Carmo, idem do museu de Geologia e do jardim Botânico.

Terra

Agua: Oceanário, no ponto de intersecção das portas principais, em frente da entrada principal do Museu da Agua na calçada do Barbadinhos, idem na entrada do edifício da Mãe d'Agua nas Amoreiras.

Agua

Fogo: No Chiado, no passeio do Grandela, em frente da estatua do Bombeiro nos Olivais, (a do TinMan), e na entrada do Quartel principal dos BSB na Av. D. Carlos.

Fogo

Acabou por ser a mais "evidente" a que menos tempo durou. O sitio acabou mal escolhido e foi apagado pelos sapatos das pessoas que passavam naquele bocadinho de passeio. Mas foi quase sempre esta a primeira opção para começar a procurar.

Estranhamente, ou talvez não, aquelas opções que eu achava mais retorcidas eram quase sempre as primeiras e vice versa. Por exemplo o Oceanário foi escolhido por muito pouca gente, havendo até quem a tivesse á frente dos olhos e fosse esvoaçar para o Aeroporto.

Houve cenas giras, como por exemplo no Convento do Carmo. Tinha estacionado o carro no parque privado ali ao lado e sai do carro a pedir á Virita que fotografasse a cena enquanto eu ia, "dissimuladamente" pintar o passeio. Mas foi tudo tão rápido que ela não teve tempo de ligar a máquina e tirar a foto. Quando voltei atrás já de maquina ligada em punho dou de caras com o GNR que fazia guarda ao Quartel ali ao lado. Qual é o meu espanto quando o vejo dar meia volta em alta velocidade e escapulir-se de fininho. O pobre do homem não tinha percebido o que eu tinha andado a fazer e foi espreitar quando virei as costas. Mas quando me viu voltar para trás de maquina em punho, pirou-se em passo de corrida. Se calhar teve medo de ficar mal na foto.

Mascara

Confesso que se ele tivesse esperado mais uns milésimos de segundo quem ficava encavacado era eu. Resta dizer que andei alguns "seis" meses a pedir autorizações á CML para poder fazer isto em condições e "legalmente" mas a melhor coisa que recebi, foi um: "Oh homem, pinte lá á vontade que ninguém o vai chatear." Ainda hoje sinto os cabelos em pé só de pensar que por pouco não tive que explicar e convencer a GNR com este tipo de autorização expedita das nossa autoridades citadinas.

A partir dai, foi com a alma grande e um brilhozinho no olhar que grafitei o resto das coordenadas nos locais mais centrais e á vista de toda a gente. Até cheguei a ensaiar uma espécie de discurso oficialmente sério se tivesse de dar alguma explicação. Népia! Ninguém me chateou, perguntou ou fez comentários. Nada. Santa cidade. Nem sequer no Aeroporto, onde confesso que abusei: parei o carro em contra mão, liguei os piscas, pus a bomba, sorry..., pintei o passeio, tirei fotografias e fui-me embora. Nem um pio.

Como algumas das pinturas estavam a ser apagadas, quer pelo efeito do tempo quer pelo efeito do "utilização", e dado que ultimamente não tinha havido muitas visitas, achei que não teria grande sentido andar a perder tempo e paciência a respintalgar a cidade. Entrou para a lista das arquivadas.

A Virita, lá me convenceu a manter o contentor e o ponto final para nova cache. Assim fica para já. Os companheiros que fizeram a original tem direito a fazer esta mesmo sem usar GPS. Os outros, os que não suaram as estopinhas, tem agora que o descobrir.

Divirtam-se que eu vou fazendo por isso.

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This site was last updated 24/02/09